Trali - Apresentação Clinica

Werner Max Schneider Tesche

Resumo


Comumente confundida com outras patologias, a lesão pulmonar aguda associada a transfusão -trasfusion related acute lung ingury- também conhecida como Trali, é uma complicação clínica grave relacionada a transfusão de hemocomponentes, e que atualmente é a principal causa de morte associada a transfusão nos Estados Unidos da América e no Reino Unido. A incidência da patologia é aproximadamente de 0,04% a 0,16% dos pacientes transfundidos, com a porcentagem sendo provavelmente maior, graças ao número baixo de diagnósticos corretos. Esta lesão pulmonar está envolvida principalmente com o uso de plasma fresco congelado e afeta igualmente homens e mulheres de todos os grupos etários. Sua fisiopatologia é pouco elucidada, contudo, existem duas hipóteses. Uma defende que a síndrome é causada graças à infusão de anticorpos anti-HLA ou anti-HNA, localizados no plasma do doador, que interagem com neutrófilos do receptor e causam a liberação de citocinas ocasionando lesão endotelial e infiltração pulmonar. A outra hipótese defende que mediadores biológicos, como lipídeos biologicamente ativos, presentes em produtos sanguíneos estocados, reagiriam com neutrófilos previamente estimulados relacionados a fatores prévios do receptor acarretando os sintomas. Por ser uma síndrome pouco esclarecida, e ao mesmo tempo ser essencial a realização do seu diagnóstico para o correto tratamento e seguimento do paciente, o objetivo deste trabalho é esclarecer a apresentação clínica do quadro de Trali. O estudo foi realizado por meio de revisão bibliográfica em livros e artigos de periódicos, e estimulado devido a um quadro acompanhado durante o estágio eletivo em infectologia no Hospital Tereza Ramos em Lages-SC. O quadro clinico é definido por um conjunto de sintomas que se desencadeiam em um tempo aproximado de 6 horas após o término de uma transfusão sanguínea. As apresentações mais comuns são dispneia, hipoxemia aguda, edema pulmonar bilateral, e febre, com aumento de 1 °C a 2 °C. Também ocorrem, com menos frequência, taquicardia, hipotensão e cianose. O edema pulmonar pode ser avaliado logo nas primeiras horas por exames radiológicos, com a progressão da infiltração alveolar e intersticial em todo o pulmão, sem comprometimento cardiogênico. O paciente relata uma exagerada angustia respiratória já nas primeiras 6 horas após transfusão, sendo muitas vezes necessário dar apoio ventilatório, sem apresentar sobrecarga de volume circulante. Contudo alguns casos são atípicos com relação a cronologia, podendo apresentar os sintomas somente após 48 horas depois de uma transfusão, e mesmo com a maioria dos quadros se mostrando severos, alguns são leves e de resolubilidade fácil. A resolução ocorre, em sua maioria, dentro de 48 horas após o aparecimento dos sintomas, com exames radiológicos normais em aproximadamente 4 dias. Por fim, ao compreender que esta síndrome grave com índice de mortalidade aproximada em 5% a 10% podendo ser facilmente confundida com outras patologias, como a SARA, e que seu diagnóstico é essencialmente clinico, apoiado por exames laboratoriais, torna-se imprescindível que o médico tenha capacidade de avaliar corretamente o quadro e conduza da melhor forma o tratamento.

Palavras-chave


trali; transfusão sanguínea; Lesão pulmonar aguda associada a transfusão;



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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