PANCREATITE AGUDA BILIAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA.

Guilherme Henrique Ávila do Carmo

Resumo


Durante a Unidade Educacional Eletivo, realizada na emergência do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres de Lages, tive a oportunidade de visualizar inúmeras patologias e uma série de procedimentos. Dentre essas, chamou-me atenção pela importância clínica e potencial gravidade a pancreatite aguda. O objetivo desse relato é fomentar a discussão acerca da pancreatite aguda, doença com morbimortalidade expressiva de diagnóstico simples, porém com manejo muitas vezes difícil de realizar. Objetivo estimular a propagação do conhecimento sobre o tema, abordar os aspectos relacionados à compreensão das fisiopatologias envolvidas e também abordar as dificuldades do seu tratamento. O método de pesquisa escolhido foi revisão de literatura. Utilizei artigos publicados em plataformas online que foram disponibilizados entre os anos de 2000 a 2014. A literatura médica indica que a principal etiologia de pancreatite aguda é a decorrente de cálculos biliares. Cerca de 6 a 8% das colelitíases sintomáticas evoluem para pancreatite aguda (PARREIRA et al, 2004). Embora as a etiologia biliar seja a mais frequente, muitas outras causas de pancreatite aguda são descritas na literatura. Entre as etiologias destacam-se, acidente com animais peçonhentos, aumento de triglicerídeos, neoplasia, alcoolismo. Medicamentos de uso clínico rotineiro, como a Sertralina, também podem estar associados, mesmo que infrequentemente, a casos de pancreatite aguda. (MALBERGIER, 2004). O mecanismo pelo qual os cálculos provocam a pancreatite aguda é desconhecido, mas as hipóteses mais prováveis são: passagem de um cálculo gerando edema transitório da papila com discreta obstrução ao esvaziamento do ducto pancreático principal; e, durante a passagem do cálculo através da ampola, possibilidade de refluxo de bile em função da obstrução transitória. Essa obstrução transitória seria o suficiente para desencadear o inicio do processo inflamatório dentro do pâncreas. Uma vez iniciado o processo inflamatório, ele perpetua porque quando mais células afetadas, maior liberação de mediadores inflamatórios, que por sua vez agridem mais células (CHEBLI et al, 2000). O quadro clínico apresentado pela maioria dos pacientes também é o quadro mais comum presente nas pancreatites. Dor no andar superior do abdome “em barra”, associada à náusea e vômitos compreendem as manifestações mais frequentes. O médico deve estar atento para quadro menos exuberantes, principalmente em idosos. A presença dos fatores epidemiológicos para a formação de cálculo biliar, assim como as manifestações “clássicas” para pancreatite facilitam a suspeita diagnóstica (KASPER, 2005). O exame de tomografia computadorizada com contraste é, segundo a literatura, o melhor método de imagem para fazer o diagnóstico das injúrias pancreáticas. (SANTOS, 2003).Durante os primeiros dias da pancreatite, é fundamental o minucioso monitoramento respiratório, do débito urinário e da pressão arterial. Eventualmente, quando o paciente desenvolve abscesso pancreático, fístulas, necrose infectada, algum procedimento cirúrgico deve ser tentado, com a meta de impedir a progressão da complicação (SANTOS, 2003). A pancreatite aguda biliar é uma doença de alta morbimortalidade quando não realizado o diagnóstico precoce. É uma doença de alta incidência e que, por muitas vezes, é negligenciada em decorrência do seu quadro clínico variável. Em decorrência dessas características, esta breve revisão de literatura objetiva chamar a atenção e promover a discussão acerca da patologia.

Palavras-chave


Medicina de emergência; Serviços Médicos de Emergência; Pancreatite Aguda.



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