ANÁLISE DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Karoline Silva Zeni

Resumo


Introdução: O liquido cefalorraquidiano (LCQ), localizado nos plexos ventriculares, espaço subaracnóideo e no canal central da medula, é um humor semelhante a um ultrafiltrado do plasma. Ademais, sua produção é diária, cerca de 500 mL/dia em adultos, e desempenha várias funções como: proteção, distribuição de substâncias nutritivas e remoção de impurezas e toxinas produzidas pelas células do encéfalo e da medula espinal. Dessa forma, pela íntima relação com o sistema nervoso, a composição bioquímica e citológica, a partir da descrição laboratorial do LCQ, torna-se útil na detecção de patologias neurológicas. Objetivos: Apresentar aspectos citológicos e bioquímicos do fluido cerebroespinal, visando a interpretação laboratorial para fins diagnósticos. Método: Realizou-se revisão bibliográfica em artigos científicos publicados entre 2004 e 2016, nas bases de dados eletrônicos da SciELO e sites da Fundação Oswaldo Cruz e Revista Brasileira de Análises Clínicas. Usou-se como descritor: análise do líquido cefalorraquidiano.Resultados: A composição do líquor se assemelha a um transudato, contendo 99% de água e pequenas concentrações de magnésio, cloro, glicose e proteínas. Além disso, alterações em sua constituição indicam a presença de infecções, hidrocefalia, tumores e processos isquêmicos. Desse modo, a coleta do LCQ se torna indispensável para a investigação de possíveis doenças neurológicas. Para a análise: o LCQ normal tem aparência límpida e incolor, sem presença de eritrócitos. Ademais, a pressão normal de abertura varia de 10 a 100 mmH2O em crianças e 90 a 180 mmH2O em adultos e a contagem normal de leucócitos é de até cinco células/mm3 em adultos e até 20 células/mm3 em neonatos. Além disso, a concentração de proteínas no líquor de neonatos é de até 150 mg/dL, enquanto em crianças e em adultos os valores variam de 18 a 58 mg/dL e a quantidade normal de glicose é considerada aceitável o valor de 2/3 da glicemia. Já o fluido cerebroespinal turvo está relacionado ao aumento de células leucocitárias, enquanto a aparência xantocrômica pode ser pela quebra de hemoglobina de hemácias infiltradas ou bilirrubina. No caso de meningite bacteriana, por exemplo, tem-se uma hipoglicorraquia, uma pressão aumentada e uma dosagem proteica superior ao normal. Por isso, essa interpretação bioquímica é importante, pois modificações significativas podem indicar patologias. Outrossim, a contagem diferencial de glóbulos brancos é uma etapa necessária da análise laboratorial, pois conforme a linhagem celular predominante nessa contagem, estabelece-se uma conduta terapêutica adequada. Por exemplo, se for grande a presença de leucócitos, mas referente ao aumento de neutrófilos, há indício de meningite bacteriana; por outro lado, se a porcentagem de linfócitos e monócitos for alta, há indício de meningite viral, tuberculosa ou fúngica. É possível também realizar cultura para vírus, bactérias e fungos no líquido cefalorraquidiano. Conclusão: A interpretação biológica e química do líquido cefalorraquidiano é de extrema importância na detecção de doenças neurológicas, influenciando na confirmação etiológica da doença. Logo, deve-se observar todos os indicadores presentes no LCQ (glicose, proteína, leucócitos, hemoglobina, entre outros) e a alteração deles, para que assim possa se identificar patologias do sistema nervoso.

Palavras-chave


Líquido cefalorraquidiano; Diagnóstico; Líquor.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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