Hiperbilirrubinemia do RN a termo e a experiência materna mediante a fototerapia

Carolina Mondadori

Resumo


Durante a Unidade Educacional Eletivo, realizada no Hospital e Maternidade Tereza Ramos, Lages – SC, na área de Neonatologia, verificou-se a grande quantidade de recém-nascidos internados no berçário intermediário em decorrência da hiperbilirrubinemia. O tratamento através da fototerapia é eficaz, porém, algumas mães sobrecarregam-se psicologicamente ao acompanhar a internação de seus filhos. Este desgaste diz respeito à insegurança pela falta de informação sobre a icterícia e seu tratamento. Objetivei revisar a fisiopatologia da icterícia neonatal para a redução da hiperbilirrubinemia em recém-nascidos (RN) a termo e entender a experiência das puérperas com filhos nessas condições. Realizou-se revisão bibliográfica sobre icterícia em livros e em artigos científicos na área de pediatria e artigos científicos sobre a visão da mãe com o filho sob fototerapia. A icterícia chega a ser um dos sinais clínicos mais comuns, ocorrendo em cerca de 60% dos RNs a termo. Acontece devido ao acúmulo de bilirrubina, com concentração sérica de bilirrubina indireta maior que 1,3 a 1,5 mg/dL, ou de bilirrubina direta maior que 1,5 mg/dL (desde que a bilirrubina direta represente mais que 10% do valor de bilirrubina total). A alta frequência de RNs com hiperbilirrubinemia é devido a sua condição fisiológica de produzir de 2 a 3 vezes mais bilirrubina que os adultos - em consequência, principalmente, da menor sobrevida das hemácias neonatais e da maior quantidade de hemoglobina contida nelas. Além disso, a flora bacteriana intestinal nos RNs é mais escassa, não transformando de forma suficiente a bilirrubina direta – que chega ao intestino através da bile – em estercobilina (substância liberada nas fezes para a excreção de bilirrubina). A fototerapia é o tratamento mais utilizado em escala mundial, pois além de ser um método não invasivo ainda apresenta grande eficácia terapêutica. Quando a molécula de bilirrubina é exposta a fototerapia, sofre uma transformação fotoquímica que altera sua estrutura. Dessa forma, os produtos da quebra causada pela luz são eliminados através das fezes ou da urina. A eficácia da fototerapia se deve principalmente ao comprimento da luz emitida e, também, a superfície corpórea exposta à luz. No entanto, nos estudos revisados, observa-se que a maioria das mães desconhece a patologia e a terapia utilizada. Isso causa sentimentos como medo, preocupação e tristeza. Inicialmente, deparam-se com a situação de não ficarem com seus filhos nos braços, devido a necessidade do RN passar a maior parte do tempo exposto à luz fototerápica. Isto afeta o vínculo mãe e filho, causando, dessa forma, frustração da mãe. Este sentimento ainda é agravado quando a mãe pressupõe o quão incômodo e desconfortável está o RN. Todo esse quadro leva as puérperas a terem sensações de culpa causadas pela falta de conhecimento sobre a patologia e a terapêutica que seu filho se encontra. Algumas delas acabam desenvolvendo depressão pós-parto ou abandonando o tratamento por acreditarem que não há necessidade de hospitalização. A partir dessas vivências expostas nos artigos revisados, percebe-se a importância da equipe multiprofissional envolvida comunicar-se adequadamente com a mãe, tirando as suas dúvidas e prestando esclarecimento da doença e do tratamento.

Palavras-chave


Icterícia neonatal; Fototerapia; Hiperbilirrubinemia; Recém-nascido; Neonatologia



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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