REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: DERRAME PLEURAL PARAPNEUMÔNICO (DPP)

Nicole Tagliari

Resumo


A pneumonia é a principal causa de mortalidade infantil dos 0 aos 5 anos de idade, ocasionando de 10% a 30% de internações, sendo o derrame pleural parapneumônico (DPP) sua complicação mais frequente. Estima-se que aproximadamente 40% das crianças hospitalizadas com pneumonia bacteriana desenvolvam derrame pleural parapneumônico, sendo que 10% destas necessitarão drenar o exsudato. Esse tipo de efusão pleural ocorre com maior frequência em crianças menores de 2 anos, com discreto predomínio no sexo masculino. O objetivo do trabalho é realizar revisão de literatura sobre DPP. A pesquisa teve por base o acompanhamento de casos clínicos durante o período da Unidade Educacional Eletiva do Segundo Ano do Curso de Medicina da Universidade do Planalto Catarinense, efetuado no mês de junho de 2017. A partir disso, realizou-se revisão bibliográfica da literatura em livros, artigos científicos na base de dados Scielo e outros periódicos da área médica no período de 2005 a 2017. O critério de seleção das literaturas priorizou em publicações de repercussão no meio médico e nas especialidades de pediatria e pneumologia. Por definição, o derrame pleural associado a pneumonia pode ser complicado ou não complicado. O derrame parapneumônico não complicado é um exsudato reacional à infecção pulmonar adjacente e, em geral, é reabsorvido com o tratamento antibiótico e a cura da infecção pulmonar. Ele caracteriza-se por derrame não purulento, sem germes no exame direto (Gram) ou na cultura, apresenta pH maior que 7,2, glicose maior que 40mg/dl e desidrogenase lática (DHL) menor que 1000 UI/l. Já o DPP complicado caracteriza-se pela presença de exsudato que pode ser purulento ou apresentar germes na cultura ou no teste de Gram, ou ainda à análise bioquímica mostrar pH menor que 7, glicose menor que 40 mg/dl e DHL maior que 1000 UI/l. O empiema, definido como o acúmulo de pus intrapleural, é o típico derrame parapneumônico complicado. A evolução do derrame pleural parapneumônico apresenta-se em três fases distintas. A primeira fase é a exsudativa, com duração de 24 a 72 horas, caracterizando o derrame não complicado, isto é, sem invasão bacteriana. A segunda fase, denominada fibrinopurulenta, possui duração de 7 a 10 dias e ocorre invasão bacteriana, caracterizando o derrame complicado. Por esse motivo, o pH e a glicose diminuem (atividade metabólica das bactérias) e a LDH eleva-se (necrose celular de bactérias e neutrófilos). Logo, verifica-se intenso processo inflamatório. A última fase é a de organização, com início após duas a quatro semanas, havendo migração de fibroblastos com formação de fibrose e, caso não tratado, encarceramento pulmonar. A apresentação clínica de pacientes com essa efusão pleural é semelhante às manifestações de pneumonia. Os sinais e sintomas são, sobretudo, diminuição de murmúrio vesicular, presença de tosse não-produtiva, dispneia, febre persistente e astenia. Em virtude de sua alta prevalência no âmbito pediátrico, é de suma importância seu reconhecimento por parte do médico generalista e, principalmente, pelo médico pediatra, a fim de que haja intervenção precoce, promovendo tratamento direcionado de maneira rápida e eficiente, evitando possíveis complicações futuras à criança.

Palavras-chave


Pediatria; Pneumologia; Doenças infecciosas; Pneumonia; Derrame pleural.



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ISSN 2447-2107
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