Implicações da prática de exercício físico na qualidade de vida de portadores de espondilite anquilosante: Revisão Bibliográfica

Graziela Társis Araujo Carvalho, Amanda Chagas Seleme, Jéssica Lie Utiamada, Artur Carsten Amaral

Resumo


A espondilite anquilosante (EA) é uma doença crônica que se caracteriza pela inflamação das articulações da coluna e das grandes articulações, como quadris, ombros e outras regiões, afetando os tecidos conjuntivos. Possui um quadro evolutivo bastante marcado por comprometimento axial progressivo com consequências severas ao doente. Com o objetivo de avaliar as implicações do exercício físico na qualidade de vida (QV) de portadores de EA, realizou-se revisão bibliográfica em 17 artigos das bases de dados PubMed (2015-2017) e SciELO (2008-2016). No estudo também foram inseridos um artigo publicado na Revista de Desporto e Saúde da Fundação Técnica e Científica do Desporto (2008) e uma cartilha da Sociedade Brasileira de Reumatologia (2012). Os descritores utilizados foram ‘espondilite anquilosante’, ‘qualidade de vida’ e ‘exercício físico’. Visto que a baixa qualidade de vida física e emocional correlaciona-se com a alta atividade da EA, mau estado funcional, diminuição da mobilidade da coluna, com o fardo psicológico de ter a doença e com implicações socioprofissionais, diversos estudos avaliaram a eficácia dos programas de exercícios físicos sobre a QV, sobre o BASDAI (índice de atividade da doença da espondilite anquilosante de Bath: 6 questões em relação à fadiga, dor na coluna, dor e sintomas articulares e à qualidade e quantidade de rigidez matinal) e sobre o BASFI (índice funcional da espondilite anquilosante de Bath: 10 questões associadas a atividades relativas à capacidade funcional dos pacientes e à capacidade de realização de atividades de vida diária). A prática de exercício físico, de forma regular, correta e sistemática, como natação, pilates, exercícios para aumentar a flexibilidade, força muscular e aptidão cardio-respiratória, por vezes mostra eficácia em diminuir BASDAI e BASFI, reduzir os sintomas e melhorar a mobilidade. Também há relatos de que o exercício físico previne, adia e minimiza as deformidades inerentes à doença. Para avaliar pacientes com EA, um dos estudos comparou a realização de programas de exercícios em grupo versus a prática em casa. Tal estudo sugeriu que os exercícios em grupo são mais eficazes que os em domicílio, embora este último seja mais vantajoso que o sedentarismo. Corroborando com o assunto, um autor concluiu que se exercitar por menos de 1h semanalmente pode reduzir a qualidade de vida e que o aumento da intensidade e duração do exercício otimizam o escore BASDAI. Além disso, sabe-se que a dor intensa na EA pode causar distúrbios funcionais que levam à perda de equilíbrio estático e dinâmico. Nesse caso, realizar exercícios aumenta a duração do equilíbrio e estabilidade e controla a mensagem nociceptiva. A prática de exercício também faz-se necessária para manter uma postura funcional e preservar os movimentos respiratórios, pois na EA há um acometimento restritivo da respiração devido à limitação musculoesquelética ocasionada pelo aumento da cifose toracolombar e acometimento das articulações costovertebrais e costoesternais. Conclui-se, a partir deste estudo, que o exercício físico contribui para melhorar a postura corporal, a amplitude dos movimentos torácicos, a mobilidade da coluna vertebral, diminuição da dor, aumento do bem-estar e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida do paciente com EA.

Palavras-chave


Espondilite Anquilosante; Exercício Físico; Qualidade de Vida



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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