Revisão de literatura sobre Síndrome de Takotsubo

Carla Letícia Rigo Grzybowski

Resumo


Este trabalho visa revisar os conceitos básicos, quadro clínico, diagnóstico, manejo e prognóstico da Síndrome de Takotsubo (ST). Objetiva-se apresentar aspectos sobre essa cardiomiopatia, a qual é uma patologia de descoberta recente que, devido ao avanço da tecnologia nos centros de cuidados da saúde, é cada dia mais sendo diagnosticada; pois, pela sua grande semelhança com quadro de síndrome coronariana aguda (SCA) acabava com diagnóstivo errôneo. A metodologia utilizada foi pesquisa no UpToDate, MedScape, PubMed e artigos com descritores: cardiomiopatia de stress, Takostubo e Síndrome do Coração Partido. O estudo originou-se de uma experiência acadêmica na área de cardiologia no Hospital São Vicente de Paulo em Passo Fundo - RS durante a Unidade Educacional Eletivo do curso de medicina, durante os meses de agosto e setembro de 2017. A ST é uma cardiomiopatia de stress, também conhecida cmo síndrome do balão apical ou síndrome do coração partido, caracteriza-se por uma disfunção sistólica transitória do ventrículo esquerdo, a qual mimetiza um infarto miocárdico, mas sem lesão de artérias coronárias epicárdicas. Essa síndorme foi inicialmente descrita no Japão em 1990 e desde então vem sendo cada vez mais conhecida ao redor do mundo; hoje estima-se uma prevalência de 1,7 a 2,2% da população geral, sendo mais comum em mulheres, asiáticos ou caucaseanos. A patogênese da ST ainda não é completamente elucidada, acredita-se que o mecanismo é stress-induzido pela liberação de catecolaminas que causariam toxicidade e atordoariam o miocárdio temporariamente. A etiologia exata ainda é desconhecia, mas está sendo proposto que possa ser por espasmo de múltiplas artérias coronárias, função microvascular cardíaca prejudicada, metabolismo de ácido graxo miocárdico comprometido ou atordoamento miocárdico induzido por catecolaminas. Os sintomas são muito semelhantes de uma SCA, podendo apresentar dor retroesternal, associada ou não a dispneia e também pode evidenciar alteração eletrocardiográfica do segmento ST. O diagnóstrico deve ser suspeitado em pacientes que apresentam SCA, principalmente em mulheres pós-menopausa que sofreram algum tipo de stresse, sendo confirmado com provas que não identifiquem anormalidades coronarianas (como a cineangiografia) e que analizem hipocinesia, dissinesia ou acinesia ventricular (ecocardiografia ou ventriculografia); podendo ser utilizados os Critérios Clínicos de Mayo. O prognóstico costuma ser bom, com recuperação completa em 4 a 8 semanas, porém há um riscomairo de recorrência; estima-se que a mortalidade seja de 1 a 3,2%. As complicações que podem ocorrer são: insuficiência cardíaca esquerda, choque cardiogênico, obstrução de saída do ventrículo esquerdo, regurgitação mitral, arritmias ventriculares, formação de trombo mural em ventrículo esquerdo, ruptura de parede livre de ventrículo esquerdo e morte. Por ser uma condição transitória, o manejo inicial costuma ser de suporte com resolução do stress emocional ou físico, havendo recomendação de anticoagulação semelhante à usada em pacientes pós infarto miocárdico; como a eficácia da terapia medicamentosa ainda é incerta na prevenção de novos episódios, seu uso ainda é controverso. Por ser uma doença de descoberta recente e pouco conhecida, ainda é subdiagnosticada; a falta de diagnóstico prejudica o tratamento da doença que tem suas particularidadem em relação ao tratamento da SCA.

Palavras-chave


Cardiomiopatia de Takotsubo; Cardiologia; Medicina



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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