NEUROAIDS

Amanda Cecatto

Resumo


As manifestações neurológicas em pacientes infectados pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) podem ser encontradas nas diversas fases da doença, desde o período de contaminação até estágios mais avançados de imunossupressão. Em cerca de 10% a 20% dos casos, a manifestação inicial é neurológica, acontecendo tanto por ação direta do vírus como por infecções oportunistas. Estudos identificaram comprometimento do sistema nervoso central (SNC) em 80% a 90% dos casos de pacientes portadores do vírus. Este estudo objetiva demonstrar a relevância das afecções neurológicas causadas pelo HIV e sua importância na clínica médica. Foi elaborado a partir de uma revisão de literatura em base de dados publicados no período entre 2002 e 2015, totalizando uma amostra de 5 artigos. O HIV é um retrovírus que primariamente infecta as células que expressam o antígeno CD4, o qual o vírus utiliza para se ligar. Uma vez dentro da célula, o vírus pode replicar-se, levando-a à morte, ou pode integrar o seu genoma ao da célula e permanecer latente por um período variável. Outras células do sistema imune infectadas pelo HIV são os linfócitos B e macrófagos. Os macrófagos atuam como reservatório para o HIV e servem para disseminá-lo para outros órgãos. No sistema nervoso central as principais células infectadas são as da linhagem monocítica-macrofágica. O vírus entra no SNC durante a fase de viremia da infecção primaria por meio da adesão de macrófagos infectados ao endotélio cerebral. O vírus HIV é neuroinvasivo e neurovirulento, mas não se replica em neurônios, pela ausência nestas células de receptores CD4, fundamentais para a infecção celular. Ainda assim as complicações neurológicas apresentadas pelo paciente soropositivo são frequentes, acometendo cerca de 50% deles durante o curso da infecção, apesar da queda ocorrida com o início da terapia antirretroviral de alta potência. As manifestações neurológicas relacionadas a infecção pelo HIV podem estar relacionadas a seu efeito direto no sistema nervoso, e ao comprometimento do sistema imunológico. Na fase sintomática, o sistema nervoso pode ser acometido por infecções oportunistas como Neurotoxoplasmose, Neurocriptococose e Neurotuberculose, tumores como linfoma primário do SNC, ou ainda por doenças associadas ao próprio HIV como mielopatia vacuolar e complexo demência-AIDS. Dessas a neurotoxoplasmose é a alteração do SNC mais frequente observada em pacientes com AIDS. Um estudo realizado em Belém – PA, que analisou o perfil de pacientes soropositivos que evoluíram a óbito, constatou que 21,1% desses pacientes apresentaram algum acometimento neurológico. O SNC é o segundo local mais comum de manifestações clínicas. Isso pode ser explicado pelo fato de o vírus ser neurotrópico e o SNC um “santuário” para ele, além da pobre penetração das drogas antirretrovirais na presença de barreira hematoencefálica intacta. As manifestações neurológicas, especificamente, podem passar despercebidas. Sua sintomatologia pode ser pobre, apesar de, outras vezes, drasticamente constituir o primeiro sinal e ser definidora da AIDS. Nesse contexto, torna-se imperativo durante o processo de formação e atualização médica na aquisição de conceitos fundamentais relacionados a AIDS e das inúmeras complicações orgânicas relacionadas a doença ou decorrentes dos efeitos colaterais da terapia antirretroviral.

Palavras-chave


HIV; Neurológicas; Antirretroviral



REVISTA UNIPLAC
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