Relação Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV/Aids) e mortalidade por Linfoma Não-Hodgkin no Estado do Maranhão entre 2000 e 2015

Juliana Fonseca Cavalcante, Letícia Vitória Lino de Sousa, Deyvison de Lacerda Lopes, Graziela Társis Araujo Carvalho

Resumo


O Linfoma não-Hodgkin (LNH) é um câncer do tecido linfático causado por mutações nas células linfoides progenitoras B e T causando aumento no tamanho dos gânglios linfáticos e sintomas generalizados. Seu grau de estadiamento varia desde progressão lenta e assintomática até agressiva com manifestação de sintomas tais como inchaço dos gânglios linfáticos no pescoço, axilas ou virilhas, dor, febre e sudorese noturna. Estudos têm apresentado o LNH como uma das principais complicações em portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV), pois a infecção pelo vírus suprime o número de células CD4. Silva (2003) apontou que o risco de desenvolvimento em pacientes soropositivos é, de aproximadamente, 60 a 100 vezes superior ao da população soronegativa, assim como também assinalou que desde o ano de 1985 a incidência de Linfoma primário do Sistema Nervoso Central diminuiu graças ao início da Terapêutica Anti-Retroviral de Alta Eficiência (HAART) nos pacientes HIV positivos. O Instituto Nacional do Câncer, em 2016, registrou 10.240 novos casos de LNH no Brasil predominando no sexo masculino e o Sistema de Informações sobre Mortalidade, em 2013, informou 5.154 mortes. Este é um estudo descritivo retrospectivo que avalia informações epidemiológicas sobre a incidência dos casos de HIV/AIDS e a mortalidade por LNH no Maranhão, através da consulta ao Sistema de Informação sobre Mortalidade e ao Sistema da Atenção Básica- DATASUS, entre 2000 e 2015. Os dados foram agrupados por sexo e realizou-se análise univariada das variáveis em relação ao número de casos de HIV/AIDS, através do Stata® 12.0. No período de 2000 a 2015 foram diagnosticados 3.512 casos de HIV/AIDS e 817 mortes por Linfoma Não-Hodgkin (LNH) no Maranhão. A média de casos de HIV/AIDS para o sexo masculino e feminino é de aproximadamente 152 e 82, respectivamente. Para LNH, aproximadamente 33 e 21. Constatou-se uma curva de crescimento para ambas as variáveis. A análise univariada das variáveis sugere que há associação entre o crescimento dos casos de HIV/AIDS e a mortalidade por LNH para ambos os sexos [pvalue<0,05]. Depreende-se, a partir deste estudo, que no estado do Maranhão, há um aumento nos casos de HIV/AIDS e da mortalidade por LNH, sugerindo existir uma forte associação entre estas patologias, como já descrito na literatura. Destaca-se, portanto, a necessidade de ampliar as medidas de prevenção ao vírus da imunodeficiência através de políticas públicas de educação e saúde que acolham os grupos de risco, assim como a realização de estudos e planejamento de ações terapêuticas que possam impactar positivamente na assistência e qualidade de vida dos portadores do HIV, evitando também o desenvolvimento de Linfoma Não-Hodgkin.

Palavras-chave


HIV; Linfoma não Hodgkin; Epidemiologia



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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