REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: CRISES EPILÉPTICAS FEBRIS EM CRIANÇAS

CAMILA BORRIM

Resumo


Introdução: As crises epilépticas febris são crises convulsivas acompanhadas por febre que ocorrem em crianças de 6 meses a 5 anos de idade tendo um pico para início de 14 a 18 meses, sem evidência de infecção ou inflamação do sistema nervoso central e sem história prévia de convulsão febril. Estima-se que 2% a 5% das crianças menores de 5 anos apresentarão uma crise. Objetivos: O objetivo principal foi revisar a literatura e as características das crises febris em crianças para ampliar o conhecimento sobre o tema. Método: Realizou-se uma revisão bibliográfica sobre o tema em dois livros clássicos da Pediatria e em artigos científicos de diferentes anos de publicação nas bases de dados Pubmed e Scielo. Utilizou-se os descritores convulsão e criança. Resultados: As crises febris ocorrem nas primeiras 24 horas do episódio febril, no período em que há rápida elevação da temperatura, são vistas como benignas e podem ser de dois tipos: simples, que representa 80% dos casos, (uma única crise tônico-clônica de curta duração) e complexas (crises focais com duração maior que 15 minutos e/ou se repetem durante o mesmo episódio febril e acompanhadas por sinais neurológicos pós-ictais). As crises febris são acompanhadas por um processo infeccioso qualquer, sendo comuns as doenças respiratórias causadas por vírus, as infecções intestinais e as do trato urinário. Entre os fatores de risco importantes para desenvolver a primeira crise tem-se o histórico familiar, internações hospitalares no período neonatal, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor e atendimento frequente em hospital, sendo que as crianças com dois ou mais desses fatores citados aumentam o risco de apresentar crise em 30%. O diagnóstico é clínico através de anamnese e exame físico cuidadosos. O tratamento engloba fase aguda, profilaxia e orientação aos pais. O tratamento na fase aguda consiste em avaliação de vias aéreas, ventilação e circulação antes de infusão de medicamentos como diazepan (0,2 e 0,3 mg/kg EV ou retal) e o midazolam (0,2, a 0,7 mg/kg, via EV, IM ou retal). Para tratamento profilático contínuo usa-se fenobarbital (3 a 5 mg/kg/dia) ou ácido valproico (15 a 60 mg/kg/dia) e para profilaxia intermitente usa-se benzodiazepínicos como diazepan VO (0,5 a 1 mg/kg/dia). Além disso, orienta-se os familiares quanto à benignidade das crises, à possibilidade de recorrência e cuidados durante nova crise como proteger de traumas, impedir que coloque objetos na boca, prevenir aspiração de saliva posicionando a criança lateralmente e monitorar a duração da crise. Conclusão: As crises epilépticas são um problema neurológico comum na infância e a maioria terá somente um episódio na vida, por isso não necessita de tratamento contínuo com drogas antiepilépticas. Tem baixa morbidade e não apresentam efeitos negativos no desenvolvimento cognitivo e motor da criança.

Palavras-chave


Convulsão; Febre; Criança



REVISTA UNIPLAC
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