DOLUTEGRAVIR NA TERAPÊUTICA INICIAL DA INFECÇÃO PELO HIV

Guilherme Rocha Spiller

Resumo


Durante a Unidade Educacional Eletivo de 2017, realizada no Hospital Tereza Ramos, em Lages, SC, na área de Infectologia, foi observado que houve uma adaptação na terapêutica inicial para infecção do HIV, o que motivou a realização de uma revisão sobre o novo medicamento. O objetivo é apresentar um estudo sobre as vantagens do Dolutegravir (DTG) sobre o Efavirenz como terapêutica inicial para o HIV, baseada em dados já publicados em artigos acadêmicos. A metodologia fundamentou-se na busca ativa de artigos acadêmicos em literatura científica (periódicos) e base de dados virtual (SciELO e ScienceDirect). Foram encontrados 7 artigos, além de textos em livros científicos. O Dolutegravir (DTG) é um fármaco antirretroviral da classe de segunda geração de inibidores da enzima integrase, que é responsável pela integração do provírus ao genoma da célula infectada. Este foi adicionado ao Sistema Único de Saúde para manejo terapêutico da infecção pelo vírus. Ele apresenta uma alta barreira genética, potência e uma posologia de uma dose única diária, o que facilita a adesão ao tratamento, já que seu antecessor de primeira geração, o Raltegravir, apesar de ser uma droga potente, tinha uma posologia de duas doses/dia, o que dificulta a adesão. Também, está comprovado pelo estudo SAILING realizado em 715 pacientes por 48 semanas a superioridade do DTG sobre o Raltegravir, mostrando que 71% daqueles em uso de DTG atingiram a carga viral (CV) de 50 cópias versus 64% daqueles em uso do Raltegravir. Até fevereiro de 2017, a terapêutica inicial para tratamento do HIV recomendada pelo Ministério da Saúde consistia em dois inibidores da Transcriptase reversa (Lamivudina e Tenofovir) associado ao Efavirenz, porém numa meta-análise realizada pela Universidade da Califórnia, os resultados mostraram superioridade nos regimes contendo o Dolutegravir ao invés do até então utilizado Efavirenz. Foi constatado que os participantes do estudo usando o DTG tinham quatro vezes menos chances de descontinuar o tratamento devido a efeitos adversos do que aqueles em uso de Efavirenz. Outro estudo (SINGLE) realizado durante 96 semanas também mostrou resultados promissores, mostrando que 80% dos pacientes em uso da combinação com o DTG atingiram uma carga viral menor que 50 cópias, versus 72% daqueles usando a combinação com o Efavirenz. Outro estudo também comprovou que o DTG possui um perfil lipídico melhor que o Efavirenz, novamente mostrando superioridade da droga no tratamento inicial do vírus. Conclui-se que o Dolutegravir a partir de 2017 passa a compor o esquema inicial preferencial proposto pelo Minstério da Saúde no tratamento da infecção pelo HIV. Importante ressaltar que aqueles pacientes já vivendo com o HIV mantêm o esquema com o Efavirenz, não devendo mudar para o Dolutegravir. Aqueles pacientes que estão em uso de Raltegravir deverão ter este substituído também pelo DTG.

Palavras-chave


HIV. Dolutegravir. Terapia Antirretroviral



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