REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: QUADRO CLÍNICO E PROFILAXIA DA FEBRE REUMÁTICA

Maisa Heinen Rodrigues

Resumo


Introdução: A Febre Reumática (FR) é uma complicação não supurativa da faringoamigdalite causada pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes) e decorre de resposta imune tardia a esta infecção, em populações geneticamente predispostas. É a doença reumática mais comum no Brasil. O Ministério da Saúde estima uma prevalência ao redor de 3% entre crianças e adolescentes, sendo responsável por 40% das cirurgias cardíacas no país. É uma doença que predomina na idade pediátrica, entre 5 a 15 anos, apenas em 20% dos casos ocorre em adultos, mais frequente em ambientes desfavoráveis caracterizados por pobreza, acesso restringido aos serviços de saúde e má nutrição. Objetivos: O objetivo deste estudo foi rever a literatura pertinente ao quadro clinico e profilaxia da FR, de modo que os profissionais da saúde possam diagnosticar mais precocemente esta doença e também tomar medidas para evitá-la, visando o maior bem estar dos pacientes. Métodos: Foi realizada uma revisão da literatura com base de pesquisa artigos científicos, das bases de dados da Scielo e Pubmed, publicados no período de 2009 a 2017, bem como o Tratado de Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria. Revisão: O diagnóstico é baseado no quadro clinico e exame físico detalhado e auxiliado por exames laboratoriais inespecíficos, que quando associados com a clínica permitem o diagnóstico da FR. As manifestações mais frequentes da FR são em 75% dos primeiros ataques de FR a artrite; a cardite ocorre em 40% a 50% dos casos; a coreia em 15%; os nódulos subcutâneos e eritema marginado em menos de 10%. A faringoamigdalite é caracterizada clinicamente por mal estar geral, vômitos, febre elevada, hiperemia e edema de orofaringe, bem como petéquias e exsudato purulento, assim como gânglios cervicais palpáveis e dolorosos. A artrite se caracteriza por dor intensa, que dificulta o caminhar, e por inchaço e calor discretos. As articulações mais acometidas são os joelhos e tornozelos. A segunda manifestação da FR é o comprometimento do coração (cardite) caracterizado por inflamação nas três camadas. Este é o comprometimento mais importante porque pode deixar sequelas e limitar a vida do paciente. Outra manifestação é a coréia, que se caracteriza por fraqueza nos braços e nas pernas, por sensibilidade emocional e por movimentos dos braços e das pernas que pioram quando o paciente fica tenso e desaparecem durante o sono. É importante saber que esta manifestação da FR pode vir isoladamente (sem a artrite e/ou cardite) e meses após o quadro da faringoamigdalite. Por mais que o nome seja sugestivo, nem todas as crianças apresentam febre como manifestação da doença. Conclusão: A FR e uma doença que pode evoluir com complicações graves, mas que pode ser facilmente prevenida, contudo o percentual de pacientes acometidos ainda é crescente. Sendo um problema de saúde pública, há uma forte necessidade de promover ações em medicina preventiva eficazes para a população, voltada para o pronto atendimento adequado das infecções de vias aéreas superiores, principalmente, em crianças e adolescentes, evitando futuras complicações dessa doença.

Palavras-chave


Febre reumática; cardite; faringoamigdalite



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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