INFLUÊNCIA DA VIA DE PARTO NA OBESIDADE INFANTIL

Karina Weber

Resumo


A oportunidade de realização de estágio nas áreas de obstetrícia, neonatologia e pediatria em agosto de 2017, despertou o interesse acerca das repercussões da via de parto no desenvolvimento do indivíduo. Tendo em vista a crescente taxa de realização do parto cesárea (PC) em todo o mundo e o simultâneo aumento da obesidade infantil sugeriu-se uma relação entre eles. Objetivou-se elaborar uma revisão bibliográfica das principais pesquisas e do embasamento teórico da possibilidade de contribuição do PC à obesidade infantil. A revisão de literatura baseou-se nos dados disponibilizados entre os anos de 1999 e 2015 em artigos científicos e orientações da OMS relacionados ao tema e sobre taxas de cesárea. Existem evidências de que a microbiota intestinal seja constituída no primeiro ano de vida, sendo que a colonização inicia desde o nascimento e é influenciada pelo tipo de parto, pela dieta infantil e o uso de medicações. As crianças nascidas de parto normal (PN) adquirem a microbiota por meio da flora vaginal e fecal da mãe, além da contribuição ambiental, enquanto as nascidas pelo PC têm maior influência do ambiente, especialmente se as mesmas não mantiverem contato com a mãe logo após o nascimento. Um estudo comparou a microbiota intestinal de recém-nascidos pelas diferentes vias de parto ao terceiro dia de vida, observando significativas diferenças, principalmente, recém nascidos por PC apresentam uma ausência substancial nas espécies de Bifidobacterias, enquanto estas estão presentes na microbiota dos recém-nascidos de PN. Observou-se a composição da microbiota intestinal de recém-nascidos por PC e verificou-se que, em comparação a microbiota aos nascidos por PN, os membros do grupo Bacteroides fragilis ainda faltam completamente após 14 dias de vida e as bifidobactérias só foram isoladas esporadicamente. Outros pesquisadores investigam o equilíbrio dos componentes da microbiota intestinal com o desenvolvimento da obesidade. Bervoets estudou crianças entre 6 e 16 anos observando que as obesas apresentaram elevada taxa de bactérias Firmicutes e maior relação entre Firmicutes e Bacteroides na comparação com as magras. Ainda, Ley et al demostrou que a microbiota intestinal de camundongos obesos versus a de camundongos magros apresenta quantidade 50% menor de Bacteroides e presença de Firmicutes 50% maior. Baseados nesta e outras hipóteses de influência do PC no desenvolvimento da obesidade infantil, Huh et al. investigou comparando a ocorrência de obesidade infantil aos 3 anos de idade entre crianças nascidas das diferentes vias de parto, obtendo os seguintes resultados: 1255 crianças foram incluídas no estudo, das quais, 22,6% nasceram de PC. Aos três anos de idade 15,7% das crianças nascidas por PC apresentaram obesidade infantil em contraste com 7,5% das crianças nascidas de PN. De acordo com as pesquisas, pode-se conferir risco maior de desenvolvimento de obesidade infantil em crianças nascidas por PC em relação a nascidas por PN, atribuindo este fator ao diferente desenvolvimento e equilíbrio dos componentes da microbiota intestinal nas distintas vias de parto, o que parece influenciar na obesidade.

Palavras-chave


Parto Cesárea e Obesidade Infantil; Microbiota Intestinal do Recém-Nascido; Microbiota Intestinal e Obesidade; Obesidade Infantil



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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