REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: IMPORTÂNCIA DA DEPRESSÃO EM PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS

Camila Cé

Resumo


Introdução: Pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA) enfrentam grandes desafios, como o exaustivo acompanhamento clínico, a dificuldade de adesão ao tratamento medicamentoso e à carência de suporte social. Essas adversidades podem afetar negativamente o indivíduo, ocasionando implicações em sua saúde mental. Dentre os transtornos mentais, a depressão é a complicação mais comum em PVHA, com prevalência de duas a três vezes maiores quando comparada à população geral. Objetivos: Destacar a importância da saúde mental e qualidade de vida em pessoas vivendo com HIV/AIDS, compreendendo os diversos fatores relacionados ao impacto do diagnóstico e o consequente tratamento para controle da doença crônica, que podem desencadear um transtorno mental. Métodos: Realizou-se revisão bibliográfica com pesquisas na base de dados eletrônicos SciELO, utilizando artigos publicados entre 2010 e 2017, com as seguintes palavras-chave combinadas: depressão, HIV e qualidade de vida. Revisão: O acompanhamento clínico de pacientes com HIV/AIDS visa reduzir a progressão da doença a partir do uso da terapia anti-retroviral. O uso irregular ou má adesão desse esquema terapêutico causam complicações sérias para o paciente, repercutindo em piora do quadro clínico devido ao aumento da carga viral e o surgimento de doenças oportunistas. Dentre os fatores que provocam esse uso irregular, tem-se a depressão, o distúrbio mental mais prevalente que acomete PVHA. Além disso, pessoas depressivas sofrem prejuízos na qualidade de vida, principalmente nas relações sociais. A infecção pelo HIV e as desordens psiquiátricas apresentam complexa relação, considerando seu impacto na vida pessoal, sexual, social e ocupacional de PVHA. Os distúrbios depressivos complicam o curso da doença, interferindo na adesão ao tratamento, diminuindo o suporte social e desregulando o sistema humoral e imunológico. Apesar da importância desse distúrbio, a maioria das PVHA não é diagnosticada, uma vez que as condições clínicas como fadiga, diminuição de apetite, alteração de sono e perda de peso, comuns na depressão, são encontrados frequentemente em pacientes com HIV/AIDS em uso da terapia anti-retroviral. Ademais, existem outras barreiras para o diagnóstico de depressão entre os indivíduos infectados pelo HIV, como a dificuldade do próprio paciente em expor suas emoções com os profissionais de saúde. Apesar de o tratamento clínico ter sofrido grandes avanços, o apoio emocional que favorece o enfrentamento da doença, por muitas vezes fica em segundo plano. Essa situação reflete o despreparo dos profissionais em abordar aspectos psicossociais, advindo com a soropositividade ao HIV. Nesse sentido, é importante que a equipe de saúde, incluindo o clínico, enfermeiro e psicólogo, compreenda e identifique fatores determinantes da depressão no contexto da infecção pelo HIV/AIDS, visto seu impacto na qualidade de vida do paciente. Assim sendo, a equipe de saúde deve ser estimulada a valorizar o suporte psicossocial, possivelmente com cursos e discussões oferecidas pela instituição em que trabalham, despertando o interesse acerca dessa problemática e esclarecendo os principais sintomas da depressão. Destaca-se assim, a importância da identificação e rastreio apropriado de distúrbios mentais, sendo fundamental no cuidado da saúde de PVHA, que podem ser beneficiadas com acompanhamento adequado, refletindo em boa adesão ao tratamento e qualidade de vida satisfatória.

Palavras-chave


depressão; HIV; qualidade de vida



REVISTA UNIPLAC
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