Violência Obstétrica: Um Cenário Silencioso

Vanessa Cruz Correa, Luana Coelho, Suian de Liz Gonzaga

Resumo


Objetivo: Provocar uma reflexão junto a puérperas de determinado município da Serra Catarinense acerca da Violência Obstétrica com vistas a disseminar o tema na sociedade para que cada vez mais mulheres sintam-se capazes de identificar e combater esta prática.Métodos: Pesquisa de caráter descritivo, com abordagem qualitativa. Os dados foram coletados com puérperas por meio de entrevista gravada em gravador digital, com aplicação de um instrumento de coleta de dados contendo perguntas abertas e fechadas. O local de coleta de dados foi o Setor de Triagem Neonatal de uma Policlínica Municipal de Saúde de determinado município localizado na Serra Catarinense, no mês de agosto de 2017, local onde a maioria das puérperas do município comparece durante o período de puerpério imediato para realização do Teste do Pezinho do recém-nascido. Logo após as entrevistas, os conteúdos de áudio foram transcritos em diário de campo. Os sujeitos foram sorteados aleatoriamente e compuseram uma amostra de 20 puérperas. Os dados foram categorizados e analisados por análise de conteúdo. Resultados: Foram identificadas duas categorias de análise: As puérperas e seu meio: um breve perfil sócio econômico e algumas reflexões baseadas nestes achados e percepções das puérperas acerca da violência obstétrica: experiência vivenciada pela puérpera durante o parto, se ela em algum momento identificou algum tipo de violência obstétrica ou se recebeu alguma orientação acerca do tema. Conclusão: Pode-se observar que todas as puérperas que foram entrevistadas não receberam qualquer orientação ou esclarecimento a respeito do que é violência obstétrica. A grande maioria acredita que a assistência recebida está adequada, não identifica condutas consideradas violentas e desconhece quais são os seus direitos como gestantes. Recomenda-se que a informação a respeito da violência obstétrica deva ser veiculada no sistema público e privado das maternidades, ambulatórios de pré-natal, meios de comunicação de massa e especialmente nos cursos de graduação da área da saúde. A violência é um fenômeno social que passou a fazer parte do cotidiano das pessoas. Historicamente a violência contra a mulher tipifica comportamentos e impõe barreiras quase intransponíveis, uma vez que a vítima, na grande maioria das vezes encara pequenos atos como parte da cultura na qual está inserida e desconhece seus direitos como cidadã. A violência obstétrica precisa ser combatida, pois sua prática reforça a imagem de dominação sobre o feminino e institucionaliza a prática da violência contra a mulher.

Palavras-chave


Humanização; Violência Obstétrica



REVISTA UNIPLAC
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