PSORÍASE: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Renata Córdova Vieira

Resumo


A psoríase é uma doença inflamatória sistêmica crônica que costuma ter apresentação clínica variável e está associada a inúmeras comorbidades. Pode ser incapacitante devido às lesões cutâneas, fator de grande impacto social e psicológico,e pela presença da artrite psoriásica.Este trabalho objetiva evidenciar as características principais da psoríase, as comorbidades associadas e os tratamentos disponíveis. Realizou-se revisão bibliográfica no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Psoríase do Ministério da Saúde eem artigos científicos nas bases de dados Medline e PubMed com os descritores “psoriasis” e “psoríase” no período de 2004-2017. A psoríase é doença inflamatória, genética, crônica e não contagiosa caracterizada por proliferação e inflamação epidérmica, que acomete cerca de 2% da população mundial. No Brasil, os dados disponíveis são do Censo Dermatológico da Sociedade Brasileira de Dermatologia: o diagnóstico de psoríase foi verificado em 1.349 de um total de 54.519 pessoas que consultaram dermatologistas em estabelecimentos públicos e privados, totalizando 2,5% dessa amostra. A doença caracteriza-se principalmente pelo aparecimento de placas eritemato-escamosas bem delimitadas, ocasionalmente pruriginosas e/ou dolorosas, lesões róseas ou avermelhadas, recobertas de escamas secas e esbranquiçadas que se alternam em períodos agudos com fases de piora e de melhora. As principais regiões afetadas são os joelhos, cotovelos, couro cabeludo, palmas das mãos e sola dos pés, podendo se estender pelo corpo, distribuindo-se frequentemente de forma simétrica. Em razão de suas características, pode ser confundida com outras doenças, tais como micose, alergia e câncer de pele. A patogênese da doença ainda não é totalmente esclarecida: fatores genéticos, ambientais e imunológicos podem estar relacionados. Por ser de curso crônico, o tratamento constitui em retardar a velocidade de reprodução das células epidérmicas, visando controlar o ciclo natural da doença. A resposta imunológica anormal é responsável pelo dano tecidual, resultante na disfunção dos queratinócitos, cuja atividade mitótica é aumentada em mais de 50 vezes, reduzindo de 28 a 30 dias para 3 a 5 dias o tempo de migração destes, da camada basal até a camada córnea. O paciente deve iniciar o tratamento da psoríase moderada a grave pela fototerapia, segundo diretriz terapêutica nacional e guias internacionais. Em caso de falha, inicia-se o tratamento com medicamentos sistêmicos (metotrexato, acitretina, ciclosporina), antes dos biológicos (etanercepte, infliximabe, adalimumabe). O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para o tratamento de psoríase no Sistema Único de Saúde (SUS) de 2013, não inclui medicamentos biológicos. Estudos epidemiológicos mostram que psoríase está associada com um maior risco de comorbidades, tais como: artrite psoriásica, doença intestinal inflamatória crônica, distúrbios psiquiátricos e psicossociais, obesidade, hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia e síndrome metabólica. O risco de doença cardiovascular é maior – aterosclerose precoce, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral: a inflamação sistêmica crônica presente na psoríase tem sido sugerida como um fator de risco independente para tais comorbidades. Conclui-se, portanto, que apesar de a psoríase apresentar evolução benigna, o agravo gera significativas alterações físicas e psicológicas e causa importante impacto na qualidade de vida dos pacientes.

Palavras-chave


Psoríase; Dermatologia; Terapêutica



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