DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO-ALCOÓLICA (DHGNA) NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Amanda Chagas Seleme

Resumo


A doença hepática gordurosa não-alcoólica (DHGNA) é uma condição caracterizada pelo acúmulo de lipídeos, em grande parte triglicerídeos, nos hepatócitos do fígado, ocorrendo sem a ingestão etílica significativa. A fisiopatologia da DHGNA ainda não está bem esclarecida, porém correlaciona-se diretamente com a resistência insulínica e dislipidemia e, portanto, com a própria obesidade. A prevalência de esteatose em pacientes de peso normal é de 16,4% e aumenta para 75,8% em pacientes não etilistas obesos. Tal prevalência costumava ser maior em adultos, porém, com o aumento progressivo da obesidade infantil, houve aumento importante na sua incidência na faixa pediátrica. Este trabalho objetiva relacionar a DHGNA com a obesidade em crianças e adolescentes, além de uma fazer uma breve revisão de diagnóstico, tratamento e principais complicações. Realizou-se revisão bibliográfica em artigos científicos nas bases de dados SciELO e Up to Date, Jornal de pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Revista Socerj, e Revista Scientia Médica, no período de 2008 a 2017. A DHGNA é uma condição clínico-histológica de amplo espectro, que inclui, além da esteatose, esteato-hepatite e tem potencial evolutivo para cirrose, carcinoma hepatocelular e transplante hepático. Outra complicação frequente nestes pacientes são os eventos cardiovasculares. Dados norte-americanos demonstram que 11% das crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos são obesos. Uma pesquisa nacional verificou que 10,4% dos adolescentes entre 10 e 19 anos apresentam sobrepeso e 1,8%, obesidade. Um estudo realizado com 72 crianças e adolescentes obesos (4-16 anos) verificou que 53% tinham DHGNA. Outro estudo importante demonstrou que, em autópsias de 742 crianças e adolescentes, a prevalência de doença hepática gordurosa era de 9,6%, sendo que, do total, 38% eram obesas. Evidência histológica de esteato-hepatite foi verificada em 23% dos que tinham doença hepática gordurosa. Os pacientes podem ser, na sua maioria, assintomáticos, embora possa haver elevação discreta das enzimas hepáticas ou manifestações como mal estar, desconforto em quadrante superior direito do abdômen, fadiga e hepatomegalia. O diagnóstico se baseia em alterações laboratoriais, exames de imagem, como ultrassonografia, e biópsia hepática. Entretanto, a ultrassonografia não estabelece o diagnóstico da DHGNA, nem seu grau de severidade, o que torna a biópsia hepática o padrão-ouro para avaliação. Contudo, na população pediátrica, devido à dificuldade de execução e por ser um procedimento invasivo, opta-se por métodos indiretos (exames de imagem e laboratoriais), associados à história e exame clínico. O tratamento é baseado em mudanças do estilo de vida, destes, os mais importantes, a qualidade da dieta e a prática regular de exercícios físicos, com o objetivo de redução de peso e controle de distúrbios metabólicos. Conclui-se, portanto, que a DHGNA está intimamente relacionada com a obesidade e que crianças e adolescentes que apresentam sobrepeso/obesidade além de outros fatores clínicos, estão propensas a desenvolverem a doença. Sabendo-se do aumento da incidência e prevalência de obesidade nesta faixa etária e visto as diversas formas de complicações da DHGNA, até mesmo posteriormente, na fase adulta, deve-se atentar para o diagnóstico precoce a fim de preveni-las.

Palavras-chave


Esteatose hepática; Obesidade; Pediatria.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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