Qualidade de vida das pacientes com Neoplasia Mamária pós realização de Linfadenectomia Axilar: Revisão Bibliográfica

Jéssica Lie Utiamada, Amanda Chagas Seleme, Graziela Társis Araujo Carvalho

Resumo


O câncer de mama (CM) configura-se como um problema de saúde pública, apresentando importante relevância epidemiológica e correspondendo a uma das principais causas de morbimortalidade, principalmente entre mulheres na faixa etária de 40-69 anos. Como o diagnóstico tende a ser mais tardio, há grande incidência de realização de linfadenectomia axilar (LA). Essa revisão bibliográfica visa apresentar as repercussões físico-funcionais e psicossociais resultantes de tal procedimento, as quais promovem redução na qualidade de vida (QV) do paciente. Para o alcance dos objetivos propostos nesta pesquisa, fora realizada uma revisão bibliográfica de artigos científicos nas bases de dados PubMed (2016) e SciELO (2014-2017) que permitiram a obtenção de conteúdos relevantes para o desenvolvimento de tal trabalho. Os descritores utilizados foram ‘Excisão de Linfonodo’, ‘Sequelas da Adenectomia Axilar’, ‘Adenectomia Axilar e Qualidade de Vida’, ‘Neoplasia Mamária e ‘Qualidade de Vida’. Ressalta-se que no Brasil, falhas nas estratégias de rastreamento e dificuldade de acesso ao tratamento direcionam ao diagnóstico tardio e em estágios tumorais mais avançados, resultando em prática cirúrgica mais agressiva, como a LA. Essa abordagem terapêutica constitui no esvaziamento dos três níveis axilares, realizando uma incisão ao longo da borda lateral do músculo peitoral maior. Sendo assim, corresponde a uma parte importante do tratamento locorregional. No entanto, está associada à sequelas definitivas, sendo que as principais implicações incluem a alterações no movimento do braço (77% das mastectomias e 39% das pacientes submetidas a tratamento conservador), linfedema (prevalência de 6-49% e incidência entre 0-22%), dor nos membros superiores (22% das pacientes submetidas a tratamento conservador), parestesias e paresias. Além desses, pode ocorrer alteração postural, lesões musculares, redução da força muscular, alteração na amplitude do ombro e síndrome do imobilismo, assim como rejeição da aparência pessoal, sentimento constante de medo e depressão. A taxa de cosmese é de 37,7%. Também foi observado que muitas mulheres submetidas à LA não retornaram a executar suas atividades profissionais e que algumas reduziram os afazeres no trabalho do lar. Ainda, dentre as que conseguiram retornar à rotina profissional, uma parte teve que adaptar as funções laborais à sua nova condição de saúde, sendo que muitas aposentaram-se, seja por fator psicológico ou por limitações físicas. Conclui-se, portanto, que apesar da LA corresponder a um importante procedimento para tratamento locorregional do CM, pode comprometer a integridade físico-funcional e acometer o âmbito psicossocial, com déficits nas atividades diárias, além de também apresentar repercussão relacionada à morbidade.

Palavras-chave


Excisão de Linfonodo; Qualidade de Vida; Câncer de Mama



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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