ANESTESIA VENOSA TOTAL E FÁRMACOS UTILIZADOS NA INDUÇÃO ANESTÉSICA

Tainara Pereira Jung

Resumo


A anestesia venosa é um tipo de anestesia geral que utiliza fármacos venosos como componentes anestésicos. Nos primórdios da anestesia geral, a utilização se restringia apenas a anestésicos voláteis. Em 1947, foi introduzido o uso dos anestésicos venosos, com a utilização dos barbitúricos, causando no início, complicações devido a gravidade de depressão cardiovascular promovida por eles. A evolução tecnológica permitiu o avanço nas técnicas de administração e atualmente a anestesia geral pode ser administrada pela técnica inalatória, venosa ou balanceada. Dessa forma, objetivou-se realizar uma breve revisão bibliográfica sobre o tema “Anestesia Venosa” focando em um de seus subtipos e nos principais fármacos utilizados para ocorrer a indução anestésica do paciente por essa via. O método de revisão bibliográfica baseou-se em livros de anestesiologia publicados entre 2006 e 2016 e também artigos nas bases de dados Scielo e em revistas de Anestesiologia. A anestesia venosa total (AVT) foi desenvolvida com base no aparecimento de opioides e dos hipnóticos. Consiste em técnica de anestesia geral que envolve a indução e a manutenção anestésicas com a administração de fármacos venosos. Por meio de agentes venosos específicos, obtém-se a regulação independente de cada componente da anestesia: inconsciência, amnésia, controle do sistema nervoso simpático e relaxamento muscular. Diferencia-se da anestesia inalatória e balanceada pela ausência de qualquer agente inalatório. Os fármacos anestésicos utilizados na clínica por via venosa são classificados basicamente em opioides e não opioides. Com a evolução da técnica cirúrgica, exigiu-se o desenvolvimento de fármacos mais potentes, com menor latência e duração mais previsível, possibilitando, inclusiva a infusão contínua, que se tornou realidade com o advento da síntese de novas moléculas. Assim, surgiu em 1960 o fentanil, opioide sintético que é de 50 a 100 vezes mais potente que a morfina. Ele produz analgesia profunda dose-dependente, depressão ventilatória, sedação e, em altas doses, inconsciência. Já o grupo dos anestésicos não opioides é formado por duas grandes famílias: barbitúricos e os benzodiazepínicos, além de outros fármacos, como a cetamina e o propofol. Tanto os barbitúricos quanto os benzodiazepínicos determinam hiperpolarização da célula, reduzindo sua excitabilidade, de onde derivam os efeitos sedativos e hipnóticos característicos desses fármacos. O propofol tem como principal função hipnose, sendo o principal fármaco para essa função nas AVT. Ele não possui função analgésica e tem um rápido término de ação devido sua alta lipossolubilidade. Possui poucos efeitos colaterais, sendo os mais importantes as ações vasodilatadoras e depressoras da função miocárdica. As complicações que podem surgir são relativas ao procedimento anestésico em si, como depressão cardiorrespiratória, memória intraoperatória e reações alérgicas.A popularização da AVT vem ocorrendo devido ao desenvolvimento de fármacos com propriedades farmacocinéticas e farmacodinâmicas, que permitem sua utilização em infusão contínua. Além disso, o desenvolvimento de sistemas para a administração das drogas facilitaram o controle infusional desses anestésicos. Dessa forma, a popularização dessa técnica nas últimas duas décadas vem ocorrendo. A utilização da AVT demonstra vantagens como a rápida recuperação, redução significativa de náuseas e vômitos, diminuição da incidência de delirium pós-operatório e menos poluição do ambiente.

Palavras-chave


Anestesia Venosa Total (AVT); Fentanil;Propofol



REVISTA UNIPLAC
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