Risco de câncer em pacientes diabéticos

Rafaela Burati Toaldo

Resumo


O câncer e o diabetes são doenças prevalentes e crescentes no mundo todo. Atualmente estima-se que a população mundial com Diabetes é da ordem de 382 milhões de indivíduos, afetando principalmente países em desenvolvimento. O câncer é uma das principais causas de morte, mais de 32 milhões de pessoas no mundo são afetadas pela doença. A relação entre diabetes e suas complicações é altamente reconhecida, porém a associação entre diabetes e o aumento do risco de câncer está pouco estabelecida. O objetivo deste estudo é apresentar a discussão das literaturas com relação à associação entre diabetes e o risco de câncer. Realizou-se revisão bibliográfica em artigos científicos e diretrizes. Utilizou-se como descritores: Diabetes e Câncer. Muitos estudos epidemiológicos sugerem que pessoas com diabetes têm um risco significativo para desenvolver diversas formas de câncer, os principais tipos são câncer de pâncreas, colorretal, mama, fígado e endométrio. Os fatores de risco comuns entre câncer e diabetes são divididos em modificáveis e não modificáveis. Nos fatores modificáveis é relatado dieta com alto teor de glicose, sedentarismo, tabaco, álcool, excesso de peso e obesidade. A obesidade central apresenta uma forte correlação com o aumento da resistência à insulina. Em um estudo feito por uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade (UNACON), identificou-se uma associação entre obesidade e menor índice de sobrevida global de pacientes com câncer de mama. Contudo, mudanças no estilo de vida com efeito na perda de peso, como a atividade física, têm demonstrado relação positiva com o prognóstico e a qualidade de vida dessas pacientes, mesmo durante o tratamento quimioterápico. Os fatores não modificáveis incluem idade: o risco de câncer aumenta conforme a idade; sexo: maior ocorrência em homens; raça/etnia: maior incidência em afro-americanos. Os estudos ainda não são totalmente conclusivos, mas evidências demonstram que o nível elevado de insulina no sangue, a exemplo da hiperinsulinemia apresentada no diabetes tipo 2, tem sido considerado um fator de risco para muitos cânceres. A insulina reduz a produção hepática de IGFBP-1, proteína ligadora dos fatores de crescimento, com isso aumenta os níveis circulantes de IGF-1 livre. Os IGFs são fatores de crescimento que têm atividade sobre o metabolismo intermediário, proliferação, crescimento e a diferenciação celular, tendo efeito mutagênico e protetor sobre a célula cancerígena, o qual atua como estimulo de crescimento para as células neoplásicas. Drogas para o tratamento do diabetes que aumentam a concentração de insulina são sujeitas a aumentar o risco de câncer, enquanto drogas que reduzem o nível de insulina e aumentam a sensibilidade das células à insulina podem reduzir o risco de câncer. Os estudos ainda não são totalmente conclusivos, mas há uma grande evidência na associação entre o diabetes tipo 2 e o risco de câncer. Medicamentos que reduzem o nível de insulina, prática de exercício físico, alimentação adequada e vida saudável são alguns dos fatores recomendados para diminuição do risco de câncer. Muitas pesquisas ainda devem ser realizadas nesta área para possíveis respostas e menores incidências de ambas as doenças que acometem grande parte da população mundial.

Palavras-chave


Diabetes; Cancêr



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