Mecanismos Fisiopatológicos do Priapismo

Pablo Natanael Peruzzo

Resumo


Priapismo é definido como uma ereção peniana prolongada e persistente, frequentemente dolorosa, desencadeada ou não por estímulo sexual. O tempo da ereção varia conforme o autor, alguns estipulam três horas, já a Diretriz Brasileira de Urologia define quanto às ereções com mais de quatro horas de duração, normalmente afetando apenas os corpos cavernosos da musculatura peniana. Caracteriza-se como uma situação clínica de emergência, requerendo um diagnóstico rápido. Faz-se importante, sempre que possível, solicitar a presença de um urologista para o primeiro atendimento, sendo necessário definir a classificação de priapismo em isquêmico ou não-isquêmico, uma vez que condutas diferentes deverão ser adotadas. O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão de literatura sobre priapismo, retratando suas classificações e mecanismos fisiopatológicos envolvidos, tendo em vista o contato, análise e observação da patologia durante a Unidade Educacional Eletivo do curso de medicina da UNIPLAC. A metodologia constituiu-se em revisão bibliográfica narrativa em que os dados foram coletados em artigos do banco de dados SCIELO e Projeto Diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia. O priapismo pode ser isquêmico, de baixo fluxo ou veno-oclusivo e não-isquêmico, de alto fluxo ou arterial. O priapismo isquêmico é o mais frequente, de múltiplas causas, e está associado à diminuição do retorno venoso, com estase vascular, determinando isquemia tecidual. A ereção é usualmente dolorosa e a gasometria dos corpos cavernosos demonstra baixa concentração de oxigênio associada à acidose metabólica (PO2< 30 mmHg; PCO2> 60 mmHg); pH < 7,25). O sangue dos corpos cavernosos, quando aspirado, tem coloração vermelho escura. Existe também uma forma de priapismo isquêmico intermitente, que se caracteriza por ereções dolorosas, mas alterada com períodos de detumescência. Já o priapismo não-isquêmico é menos comum e caracteriza-se pelo aumento do fluxo arterial, na presença de retorno venoso normal, com elevação de pressão de oxigênio. É comum o relato de antecedente de trauma perineal ou peniano, visualizando-se edemas e hematomas cutâneos. A ereção é indolor e o sangue dos corpos cavernosos, quando aspirado, tem coloração vermelho clara. A gasometria dos corpos cavernosos é do tipo arterial (PO2> 90mmHg; PCO2< 40mmHg; pH em torno de 7,4), sem acidose ou hipoxemia. Embora a avaliação dos dois tipos de priapismo (isquêmico e não isquêmico) seja semelhante, a fisiopatologia e a terapêutica diferem entre os dois, sendo essencial o diagnóstico correto. Uma importante consideração para o diagnóstico correto é a distinção precisa entre os dois tipos, sendo que a fibrose e a disfunção erétil são sequelas mais comumente associadas ao priapismo isquêmico.

Palavras-chave


Priapismo; priapismo isquêmico; priapismo não isquêmico.



REVISTA UNIPLAC
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