REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: SÍNDROME DA SELA VAZIA (SSV)

João Carlos Cervelin

Resumo


A sela túrcica é a formação óssea no osso esfenóide com formato de sela onde repousa a glândula hipófise (pituitária). Nesse aspecto, a síndrome da sela vazia se caracteriza por um achado de imagem de sela túrcica preenchida por líquido cefalorraquidiano (LCR), devido à herniação da aracnóide para dentro da sela, levando à compressão do tecido hipofisário normal contra o assoalho selar, dando a aparência radiológica de uma sela vazia. Pode se apresentar apenas como um achado radiológico ou estar associada a graus variados de hipopituitarismo, sintomas neurológicos, alterações visuais e hipertensão intracraniana. Esse trabalho objetiva demonstrar a anatomia e fisiologia da hipófise relacionando aos sinais e sintomas da patologia SSV. Foi realizado levantamento bibliográfico com bases de dados de: Livros Didáticos, Biblioteca Virtual em Saúde e Scielo no período de 2005 a 2013, totalizando 6 obras. A hipófise é uma glândula endócrina, de formato oval, de coloração vermelha-acinzentada, com 12 mm de diâmetro transversal e 8 mm de diâmetro anteroposterior, e com um peso médio de 500 mg no adulto. Ela é contínua com o infundíbulo, um prolongamento com formato cônico e oco derivado do hipotálamo. Ela encontra-se dentro da fossa hipofisial do osso esfenoide, onde é coberta superiormente por um diafragma da sela que separa a face anterossuperior da glândula hipófise do quiasma óptico. A hipófise possui duas partes principais, a adeno-hipófise e a neuro-hipófise, as quais diferem em sua estrutura e função. A primeira é constituída por células epiteliais, compreendendo os seguintes tipos celulares: lactotrofos, gonadotrofos, tireotrofos, corticotrofos e os somatotrofos, que produzem os hormônios: prolactina, hormônio luteinizante e hormônio folículo estimulante, hormônio tireoestimulante, hormônio adrenocorticotrófico e somatotrofina, respectivamente. Já a segunda, é formada pelo prolongamento dos neurônios hipotalâmicos e apenas possui função de armazenamento e secreção de ocitocina e ADH. Nessa perspectiva, pelas relações anatômicas e fisiológicas, a SSV pode afetar o sistema visual (hemianopsia bitemporal) pela tração do quiasma óptico para dentro da região selar. Além disso, em cerca de 20 a 50% dos casos verifica-se uma disfunção endocrinológica com 10% de hiperprolactinemia, 5% de hipopituitarismo parcial e 25% de panhipopituitarismo. A hiperprolactinemia é o achado mais freqüente, provavelmente pela redução do aporte de dopamina aos lactotrófos pelo estiramento da haste. Por fim, é possível classificar a síndrome quanto a sua etiologia, em primária (SVP), quando o LCR entra na sela túrcica através de uma fenda no diafragma selar (indicando uma deficiência), podendo estar associada a uma hipertensão intracraniana benigna (50% dos casos). Já a secundária (SVS), ocorre majoritariamente após tratamento de tumores hipofisários seja cirúrgico, radioterápico, ou medicamentoso. A hipófise é, portanto, considerada uma glândula mestra, pois sua atividade regula a função de outras glândulas. A SVP geralmente é assintomática e um achado de imagem na radiografia de crânio. Já a SVS apresenta manifestações neurológicas como cefaleia retro-ocular (pela pulsatilidade liquórica espontânea), hipopituitarismo e alterações visuais.

Palavras-chave


Síndrome da sela vazia; Hipófise; Anatomia; Fisiologia; Fisiopatologia



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