Fundamentos básicos da epigenética e seu papel no desenvolvimento de doenças cardiovasculares e câncer.

Leonardo Luiz Girardi

Resumo


O súbito aparecimento de doenças cardiovasculares (DCV) e a alta prevalência do câncer são importantes problemas de saúde pública no Brasil. Existem fortes evidencias quanto às influências da interação gene-ambiente sobre a presença de DCV e câncer e dessa forma buscou-se em referenciais teóricos aprofundar sobre o tema e sua relação com as modificações epigenéticas. O objetivo deste estudo é apresentar uma revisão sobre os princípios básicos dos mecanismos epigenéticos, suas modificações a partir de interações gene-ambiente e como elas contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e câncer. Foram consultadas as bases de dados eletrônicas Scielo e Google Acadêmico e periódicos. A pesquisa incluiu artigos publicados entre 2006 e 2016 no idioma português. A estratégia de busca adotada foi: “epigenética” E “câncer” E “doenças metabólicas” E “doenças cardiovasculares”. Foram incluídos 8 artigos conforme relevância ao tema, todos de revisão, sendo um artigo publicado no periódico da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A epigenética, do grego “epi”: “acima, sobre algo”, é definida como modificações do genoma que são herdadas pelas gerações seguintes mas que não alteram as sequencias de bases nucleotídicas (adenina, guanina, timina e citosina) da molécula de DNA. Mecanismos epigenéticos atuam para mudar a acessibilidade da cromatina para a regulação transcricional através das modificações do DNA pela sua metilação (adição de grupamento metila –CH3, ao nucleotídeo citosina), modificações das histonas, como metilação e acetilação (adição de grupo acetila –COCH3, nos aminoácidos lisina e/ou arginina) e alterações de microRNAs (não codificantes). Tais mecanismos são essenciais para o desenvolvimento normal e crescimento celular. A metilação do DNA é a modificação epigenética melhor caracterizada e reconhecida como um mecanismo de silenciamento genético; a acetilação das histonas é um evento primordial para a ocorrência de demetilação do DNA, desse modo, a acetilação das histonas está relacionada à ativação gênica. Os processos epigenéticos são mecanismos altamente complexos, e pequenas falhas no estabelecimento ou manutenção desses podem alterar a fisiologia normal da célula e desencadear o desenvolvimento de doenças. A importância da epigenética no desenvolvimento de DCV e câncer se intensifica pelo crescente número de relatos da influência de fatores de risco para essas doenças, como alimentação, tabagismo e estresse, nas alterações de marcas epigenéticas. Evidências demonstram claramente que a interação entre gene-ambiente, principalmente através de hábitos de vida, causam risco para o surgimento de doenças por meio de suas associações com vários genes responsáveis pela obesidade, dislipidemia e marcadores inflamatórios. Devido ao crescente número de enfermidades creditadas à epigenética, muitas pesquisas têm sido realizadas na busca de drogas capazes de reverter as modificações no epigenoma. Contudo, existem muitas dúvidas acerca da aplicabilidade desses tratamentos, e muitas delas relacionadas à ativação gênica inespecífica e seu potencial mutagênico e carcinogênico, se fazendo necessário maiores estudos dos mecanismos epigenéticos.

Palavras-chave


Epigenética; Doenças cardiovasculares; Câncer; Metilação do DNA; Modificações de histonas.



REVISTA UNIPLAC
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