Prevenção quaternária na atenção básica de saúde

Sofia Toss

Resumo


Após a realização das atividades práticas da Unidade Educacional Eletivo, a qual teve seu foco na Unidade Básica de Saúde, com atenção total na assistência básica, esta revisão bibliográfica apresentará sumariamente os vários níveis de prevenção em saúde bem como suas implicações em saúde pública, com ênfase a um nível de prevenção recentemente descrito, o que é simultaneamente, o nível mais elevado de prevenção em saúde: a prevenção quaternária. Deseja-se apresentar os conceitos, definições e importância deste nível mais elevado de prevenção. Foi realizada pesquisa com base em dados eletrônicos SciELO, Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (RBMCF), utilizando artigos publicados entre 2005 e 2015. Considera-se que atualmente existem cinco níveis de prevenção em saúde: a prevenção primordial: evitar a emergência e o estabelecimento de estilos de vida que contribuem para um risco acrescido de doença; prevenção primária: conjunto das atividades que visam evitar ou remover a exposição de um indivíduo/população a um fator de risco ou causal antes que se desenvolva um mecanismo patológico; prevenção secundária: finalidade de detectar um problema de saúde em um indivíduo/população numa fase precoce (rastreios, achados de caso); prevenção terciária: corresponde, basicamente, à gestão (tratamento e controle) dos estados de doença; e prevenção quaternária – P4 – cujo conceito foi criado pelo médico belga Marc Jamoulle em 1999 e em 2003 foi inserido no dicionário da Organização Mundial de Medicina Familiar com a definição de “ação tomada para identificar um paciente sob o risco de medicalização excessiva, para protegê-lo de novas invasões médicas, e para sugerir intervenções eticamente aceitáveis.” O nascimento e a sua prática vêm de uma reação à iatrogenia nascida dentro da própria categoria médica, vinculada à prática e à ética do cuidado. São exemplos: excesso de rastreamento e de solicitação de exames complementares e abusos na medicalização de fatores de risco. Cuidados tanto curativos quanto preventivos, se excessivos, comportam-se como um fator de risco para a saúde, por isso é a prevenção quaternária a ação que atenua ou evita tais consequências. Se baseia em dois princípios fundamentais: proporcionalidade (ganhos devem superar os riscos) e precaução (versão prática do primun non nocere – primeiro não lesar), ou seja, o máximo de qualidade com o mínimo de intervencionismo. Também implica o respeito pela autonomia do indivíduo, uma vez que devidamente informado. Por conseguinte, o desenvolvimento e o aprimoramento da prevenção quaternária podem e devem se tornar uma estratégia adotada permanentemente pelo SUS e na formação de profissionais da saúde, para que as práticas consolidem-se na Estratégia Saúde da Família, diminuindo assim a medicalização e a iatrogenia do cuidado.

Palavras-chave


Atenção primária à saúde; Prevenção quaternária;



REVISTA UNIPLAC
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