PEPTÍDEOS BETA-AMILOIDES E A DIMINUIÇÃO DE RECEPTORES DE INSULINA NO CÉREBRO EM PACIENTES COM ALZHEIMER

Murilo Henrique Berto

Resumo


A Doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência nos idosos. Geralmente se apresenta com sintomas graduais de perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem) causada pela morte de neurônios. A ideia de que uma deficiência na sinalização por insulina contribui para o surgimento da DA foi proposta há cerca de 30 anos. Pouco tempo depois, demonstrou-se que pacientes com diabetes mellitus Tipo 2 (DMT2) apresentavam duas vezes mais chances de desenvolver DA. Dessa forma, surge o conceito de que a DA é uma doença metabólica no qual o déficit de utilização de glicose cerebral estão presentes muito cedo no desenvolvimento da doença. O objetivo deste trabalho visa entender como ocorre a resistência à insulina nos neurônios de indivíduos com DA. Pesquisa realizada no Google acadêmico com os descritores: “Alzheimer e diabetes”, “demência e resistência à insulina”. Escolhi três artigos científicos sobre o tema no período de 2010 a 2017. Acessei a Associação e o Instituto Brasileiro de Alzheimer, e um livro texto. Estudos experimentais forneceram evidencias de que a DA não é apenas uma doença neurológica, mas também uma doença metabólica, no qual o cérebro perde a eficiência em produzir energia a partir da glicose devido à resistência à insulina. As primeiras evidências dessa disfunção em pacientes com DA surgiram com a identificação dos oligômeros de (aB). Ele é constituído por peptídeo beta-amiloide (aB), originado na clivagem proteolítica da proteína precursora amiloide (APP). Esta é uma proteína integral de membrana do neurônio. A produção do peptídeo (aB) é um processo normal, mas em alguns indivíduos essa condição pode estar geneticamente alterada, causando um processamento proteolítico exacerbado. Então o (aB), produzido e liberado no meio extracelular, pode se agregar anormalmente desde oligômeros até fibras que se depositam nas placas amiloides localizadas nas regiões sinápticas. Os oligômeros de (aB) em altas concentrações prejudicam a plasticidade sináptica por reduzir o número de espinhas dendríticas. Como essas espinhas são protrusões dos dendritos nas quais ocorrem as sinapses excitatórias, os oligômeros que se ligam com eficiência aos sítios sinápticos excitatórios removem receptores de insulina das membranas plasmáticas. Isso pode ser a base para a perda da conectividade neural e posteriormente o déficit cognitivo. Uma proteína chamada PSD-95 (densidade pós-sináptica 95) que liga receptores de neurotransmissores à membrana plasmática do dendrito é reduzida, assim como os níveis de RNAm para insulina, a enzima PI3K (sinalização intracelular) e a Akt (crescimento e proliferação celular). O resultado é a redução da resposta à insulina, induzindo a ativação de quinases de estresse celular. Primeiramente ocorrem no hipocampo e posteriormente por todo o córtex cerebral. Desse modo, vem sendo fortalecida a ideia de que a DA seria um terceiro tipo de diabetes, com o evento fisiopatológico principal sendo o desenvolvimento de uma resistência à insulina especificamente no cérebro. Ainda não foi identificado um fator genético determinante dessa patologia. Portanto, observa-se que a DA está associada ao envelhecimento. O acúmulo de (aB) é comum nos casos de DA, mas o que promove esse acúmulo permanece desconhecido.

Palavras-chave


Resistência à insulina; Alzheimer; Peptídeos beta-amiloides;



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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