Bronquiolite viral aguda (BVA)

Rafaela Dahlke

Resumo


BVA é uma infecção respiratória aguda, de etiologia viral, que compromete as vias aéreas de pequeno calibre (bronquíolos). A faixa etária mais acometida concentra-se entre 2 e 8 meses de idade, embora ainda seja frequente até o segundo ano de vida. Acomete preferencialmente indivíduos do sexo masculino. Este resumo tem como objetivos avaliar o melhor tratamento para a BVA, considerando a eficácia e o menor número de efeitos colaterais para menores de 2 anos. Realizou-se revisão bibliográfica em livros e artigos científicos no período de 2014 a 2015 na base de dados Scielo e no site da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. A BVA é tipicamente causada por vírus respiratório, o vírus respiratório sincicial (VRS) é o mais importante agente etiológico por sua frequência, respondendo por 50-80% dos casos. As manifestações clínicas mais frequentes em menores de 2 anos são: espirros, rinorréia transparente, acompanhado de apetite diminuído, febre que varia de subnormal a elevada, angústia respiratória com tosse sibilante paroxística, dispnéia e irritabilidade. Muitas vezes a criança está taquipnéica e geralmente não há queixas sistêmicas. O diagnóstico é essencialmente clínico e a solicitação rotineira de radiografias de tórax não é recomendada para os casos típicos, sem evidências clinicas de complicações. O tratamento é de suporte respiratório e hídrico caso não haja indicação para internação; cerca de 1 a 3% necessitarão de hospitalização. A oxigenioterapia está indicada com o objetivo de elevar a saturação para valores acima de 90%. A hidratação endovenosa pode ser necessária, devido ao aumento das perdas insensíveis por taquipnéia e febre associados a diminuição da ingesta devido ao desconforto respiratório, é possível alimentar e hidratar o paciente via sonda nasogástrica. O uso de broncodilatadores não é mais indicado apesar de melhorar o quadro clínico, porém não afetam a evolução da doença e o tempo de permanência hospitalar; entretanto, seu uso deve ser reavaliado em pacientes com insuficiência respiratória. A inalação com solução hipertônica, por mais que os estudos sejam controversos, pode reduzir o edema e diminuir a impactação de muco nas vias aéreas; o regime ideal é incerto, mas na maioria dos estudos foi utilizado NaCl 3% em intervalos de 8 horas. O uso de corticóides não é recomendado para pacientes sem doença de base pulmonar e apresentando a primeira crise de sibilância, por não reduzir o tempo de internação. O heliox pode diminuir o tempo de tratamento e contribuir com a melhora do desconforto respiratório. A fisioterapia respiratória não foi eficaz em reduzir o tempo de hospitalização e não contribuiu com melhora clínica significativa, além de aumentar o risco de vômitos e instabilidade respiratória. A ribavirina pode ser útil a pacientes imunocomprometidos ou com evolução grave, porém sua eficácia ainda é controversa. Desse modo, conclui-se que o tratamento para pacientes que necessitam de internação consiste basicamente em suporte clínico, como alimentação, hidratação, aspiração nasal leve e oxigenioterapia. Os demais tipos de tratamento são controversos e de eficácia não comprovada dependedo da gravidade da doença.

Palavras-chave


Bronquiolite viral aguda; tratamento



REVISTA UNIPLAC
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