CORTICOTERAPIA ANTENATAL EM CASOS DE RESTRIÇÃO DO CRESCIMENTO FETAL

Maria Fernanda Oliveira da Silva

Resumo


A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é definida como crescimento fetal abaixo do percentil 10 para a idade gestacional (IG), e é resultante da interação genética e fatores ambientais. Estima-se que 3% a 10% dos recém-nascidos apresentem RCF – ainda associada a elevados níveis de morbimortalidade perinatal e na infância, sendo a morbidade perinatal cerca de 5 vezes maior em recém-nascidos com baixo peso para a IG, e a mortalidade cerca de 8 vezes maior nesses mesmos casos. Os fatores de risco para RCF podem ser de origem fetal – como cromossomopatias; placentária – como insuficiência placentária; ou materna – como síndromes hipertensivas; ou ainda a associação deles. A RCF pode ser dividida em: Tipo I, que ocorre durante a embriogênese e altera a hiperplasia celular; Tipo II, que é o mais frequente (75%), ocorre no terceiro trimestre e acomete a hipertrofia celular; e tipo intermediário que altera a hiperplasia e hipertrofia celular. A conduta assistencial na RCF é limitada, e o intuito é adiar a interrupção da gestação para o momento em que o risco do comprometimento fetal supere o risco da prematuridade. A conduta pode abranger a corticoterapia antenatal (CAN), que é utilizada no intuito de diminuir as complicações respiratórias e neurológicas. O objetivo deste trabalho é levantar dados na literatura que relatem o uso da CAN em benefício dos casos de RCF e demonstrar seu esquema de uso. Os dados foram consultados em 9 obras incluindo livro, artigos de revistas eletrônicas e protocolos assistenciais, datando estes documentos de 2002 à 2014. A corticoterapia é utilizada nos prematuros, com benefícios na morbidade pulmonar e neurológica. O uso em RCF sem risco de parto prematuro é controverso, mas como não há tratamento específico intrauterino para a RCF, antecipar o parto é a intervenção realizada no feto comprometido. Há protocolos que utilizam a CAN na RCF, para redução da incidência da síndrome do desconforto respiratório e óbito neonatal. A terapia pode ser utilizada entre a 24ª e 34ª semana de gestação, estando os melhores benefícios descritos entre a 28ª e 32ª semana. O tratamento pode ser realizado com 01 ciclo de betametasona (primeira opção); ou com 01 ciclo de dexametasona (segunda opção). Quando há indicação de antecipação do parto por diástole zero ou reversa ao exame de Dopplerfluxometria, antes da 32ª semana, e entre a 32ª e 34ª semana, a corticoterapia deve ser realizada. Além disso, após a 34ª semana e 24h após a última dose de terapia, o parto deve ser realizado. Os efeitos da corticoterapia são satisfatórios após 24hs da sua administração. É preconizado apenas um ciclo por gestação. Em casos excepcionais, são realizados 02 ciclos com intervalo de 2 a 3 semanas. Um dos principais efeitos indesejados da repetição de ciclos é a supressão transitória do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal materno e fetal. Conclui-se que a corticoterapia apresenta resultados favoráveis nos casos de prematuridade, e levando-se em consideração que antecipar o parto em RCF diminui o comprometimento fetal, entende-se que os benefícios da CAN aos prematuros estendem-se aos casos de RCF.

Palavras-chave


Corticoterapia; Restrição do Crescimento Fetal; Obstetrícia.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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