ABORDAGEM DE PACIENTES ICTÉRICOS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE

Eduardo Foscaches da Cunha

Resumo


A icterícia é um sinal de grande importância na avaliação de um paciente, sendo um dos mais relevantes sinais de lesão no sistema hepatopancreático, possuindo um prognóstico severo caso tratado tardiamente. A icterícia foi um assunto de grande interesse abordado durante a Unidade Educacional Eletivo do 3º Ano do curso de Medicina-UNIPLAC, realizado na Atenção Primária em Saúde. O objetivo deste trabalho é discutir a abordagem e manejo na Atenção Primária de Saúde de pacientes que apresentam icterícia, obtendo, portanto, um maior esclarecimento quando confrontado por um paciente nesse estado. Realizou-se uma pesquisa em um artigo localizado na JAAPA (Journal of the American Association of Physician Assistants) datado de 2011, além de literatura sobre APS e Gastroenterologia, publicados entre os anos de 2012 e 2014, totalizando 3 obras. A icterícia é caracterizada como uma coloração amarelada da pele, mucosas, esclera e de fluidos corporais, ocasionada pela deposição de pigmentos biliares nestes locais, quando há um distúrbio no metabolismo da bilirrubina, e sua concentração no plasma sanguíneo ultrapassa 3mg/dL. Durante a anamnese deve-se estar atento aos sintomas associados, dentre os quais, a prevalência é maior de astenia, náuseas e hiporexia, observando a progressão temporal destes sintomas. É importante avaliar a presença de dor abdominal, a qual pode sugerir um acometimento biliar ou pancreático. É importante ressaltar que, muitas vezes, a coloração não é o motivo da consulta, sendo que há possibilidade de esta não ter sido notada pelo paciente; portanto, é essencial examinar atenciosamente o paciente. No exame físico, deve-se inspecionar a região da esclera interna para confirmar a icterícia, visto que em pacientes de etnia parda ou negra, a coloração da pele pode passar despercebida. Além disso, é de extrema importância realizar a palpação de fígado e vias biliares, detectando dor e realizando manobras especiais, dentre as quais destacam-se a manobra de Murphy, especÍfica para colecistite, o sinal de Courvoisier é sensível e especifico para colestase causada por neoplasia de vesícula biliar ou de cabeça de pâncreas. Os exames complementares a serem pedidos devem ser individualizados, porém muitos casos necessitam de um exame de imagem, em especial a ultrassonografia abdominal. Deve-se solicitar a dosagem de bilirrubina e suas frações, aminotransferases (ALT e AST), fosfatase alcalina e Gama-GT. A icterícia possui diversos diagnósticos diferenciais, sendo que possui três etiologias principais, podendo ser causada por um aumento na produção de bilirrubinas, uma redução na sua metabolização hepática ou por falhas na excreção da bile (colestase), portanto é importante refletir sobre qual pode ser a causa no paciente em questão. A epidemiologia da icterícia revela que entre os pacientes atendidos na atenção primária, as principais causas desse sinal são litíase biliar, neoplasias e hepatites. Importante ressaltar que pacientes com insuficiência hepática aguda ou sinais de sepse devem ser encaminhados imediatamente para o setor de urgência e emergência, enquanto pacientes com confirmação de uma neoplasia devem ser encaminhados para o serviço terciário de oncologia. Em casos de obstrução das vias biliares por litíase, deve-se encaminhar para um cirurgião geral com urgência.

Palavras-chave


Icterícia; Icterícia/Abordagem; Ictericia/APS



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