Malformações Arteriovenosas e Hemorragia Intracraniana na Gestação: Revisão de Literatura

Victor Frandoloso, Leandro José Haas, Patricia Alves de Sousa

Resumo


As malformações arteriovenosas (MAV) podem ser definidas como um conjunto de estruturas vasculares compostas de arteríolas que convergem para uma rede de vasos pouco diferenciados de calibre variável denominada nidus, da qual partem uma ou várias veias de drenagem. Consistem de um enovelado de artérias e veias de diferentes tamanhos, malformadas, sem leito capilar intermediário, com diversos shunts arteriovenosos diretos. Estão descritos mais de 250 casos de gestações complicadas por MAV intracranianas. A história natural e a prevalência das MAV intracranianas na gravidez são largamente desconhecidas uma vez que algumas permanecem assintomáticas. O objetivo é compreender a fisiopatologia das MAVs intracranianas e sua manifestação durante a gestação. Para este fim, utilizou-se de revisão sistemática da literatura através de artigos catalogados na base de dados PUBMED e Scielo no período de 2011 a 2016, utilizando como descritores: malformações arteriovenosas intracranianas e gestação. Foram encontrados 77 trabalhos. Artigos de revisão e/ou originais com maior relevância do período de 2013 a 2016 foram incluídos. Autores, anos, métodos e resultados foram tabulados e analisados criticamente. A etiologia das MAVs não está esclarecida. Contudo, a hipótese de origem congênita é neste momento a mais consensual, ocorrendo durante o período embrionário ou fetal. O diagnóstico, em mais de 50% dos casos, ocorre em consequência de uma hemorragia cerebral. A segunda forma mais comum de apresentação é a convulsão, que ocorre em até 25% dos casos. Cefaleia ocorre em 15% dos pacientes como primeira manifestação clínica. Nas grávidas, as MAV são responsáveis por quase 50% das hemorragias intracranianas, mas por apenas 4-5% de todas as hemorragias intracranianas nas mulheres não grávidas. Estima-se uma incidência de 0,002 a 0,05% de todas as gestações. A mortalidade materna é elevada, variando entre 35 a 80%. A mortalidade fetal oscila entre 27 a 67%. As hemorragias intracranianas (HIC) são responsáveis por 4 a 12% de todos os óbitos maternais. A angiografia continua a ser o melhor método de imagem para avaliar a angioarquitetura da MAV e a existência de fatores de risco, que possam agravar a evolução da mesma. A análise morfoestrutural e hemodinâmica também são outros tópicos avaliados unicamente através deste método. A conduta diagnóstica na mulher grávida não deve diferir da não grávida. A tomografia computorizada (TC) constitui a melhor forma de detecção de lesões de massa e de hemorragia aguda. Segundo PEREIRA et al. 2014, os dados relativos ao risco de hemorragia por MAV durante a gravidez são inconclusivos. Foi sugerido que o risco de rotura durante a gravidez fosse superior devido ao aumento do débito cardíaco e pelos efeitos circulatórios da elevação dos níveis de estrogênios. Contudo, alguns estudos sugerem que o risco de hemorragia na grávida é semelhante ao risco fora da gravidez. A hemorragia pode acontecer em qualquer período gestacional, porém existe uma tendência que ocorra com sua evolução. A decisão terapêutica nas grávidas com MAV em que já tenha ocorrido hemorragia é particularmente desafiante e, dada a raridade da situação, não estão definidas normas de atuação validadas.

Palavras-chave


Medicina; Neurocirurgia; Gestação; Neurocirurgia Endovascular; Malformação Arteriovenosa.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
EDITORA UNIPLAC | PORTAL DE REVISTAS UNIPLAC
e-mail: propepg@uniplaclages.edu.br | Fone: (49) 3251-1009
Copyright 2012. Editora UNIPLAC