DELIRIUM EM PACIENTES IDOSOS NO AMBIENTE HOSPITALAR

PAULA REGINA DA COSTA

Resumo


O Delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda. Caracteriza-se por um transtorno da atenção e cognição de natureza multifatorial. É uma patologia muito prevalente, sobretudo na população idosa. Relaciona-se com maiores taxas de morbimortalidade, aumento do tempo de internação e maiores índices de institucionalização. O diagnóstico é predominantemente clínico, junto da observação clínica e avaliação cognitiva do paciente, seguido de instrumentos diagnósticos. Sua manifestação dá-se de forma hiperativa, hipoativa ou mista. O quadro demonstra-se súbito, no qual ocorre alteração das funções mentais junto de alteração no nível de consciência, desatenção e prejuízo na memória, além da possibilidade de comprometimento comportamental e do pensamento. Prevenível em grande parte dos casos, e, levando em consideração os fatores de risco, o Delirium é considerado relevante em espaço hospitalar, constituindo um alvo de preocupação nos cuidados de saúde. Objetiva-se apresentar uma revisão bibliográfica sobre a presença do Delirium em pacientes hospitalizados com foco na população geriátrica. Realizado levantamento bibliográfico na literatura científica em base de dados de artigos científicos com publicações na área de terapia intensiva, gerontologia e psiquiatria, após a realização da Unidade Educacional Eletivo em Pneumologia. Utilizou-se 5 obras. Causado pelo comprometimento de atividades cerebrais e constantemente secundário a múltiplos distúrbios sistêmicos, o Delirium ou, estado confusional, pode mascarar patologias subjacentes graves. Os mecanismos fisiopatológicos ainda permanecem desconhecidos e provavelmente estejam relacionados a alterações nas concentrações de neurotransmissores, os quais modulam o controle da função cognitiva, comportamento e humor. O seu aparecimento pode implicar complicações graves e desfechos negativos, como longo período de hospitalização, aumento do risco de complicações e altas taxas de mortalidade. Alguns fatores interferentes são citados na literatura, como a imobilização, dependência de terceiros e algumas enfermidades. Sabe-se que a redução prévia da cognição, administração de certos medicamentos e idade avançada também são fatores de risco. O ambiente também pode contribuir para provocá-lo, como estresse induzido pelo desconhecimento hospitalar, ruídos, mudança constante dos profissionais assistentes nos cuidados ou procedimentos. O hospital, portanto, é favorável ao desenvolvimento de Delirium. Reduzir o tempo necessário de internamento do idoso está associado a melhora do quadro. Na abordagem do paciente, o tratamento deve ser preferencialmente de forma não-farmacológica, pois os fármacos podem prejudicar agrando ou prolongando o Delirium. O tratamento pode conter a flexibilização de visitas ao paciente, redução de ruídos e iluminação noturna, objetivando aumentar o conforto e recuperação. Quando necessários, os fármacos podem auxiliar no controle de comportamentos agressivos ou agitados, que podem repercutir em danos ao paciente e aos profissionais de saúde envolvidos. Infere-se que a prevenção é importante devendo ser multidisciplinar. Qualquer iniciativa no sentido de melhorar a prevenção, diagnóstico e atuação perante o Delirium seria de grande benefício para os doentes e para os sistemas de saúde. O Delirium é, portanto, uma condição clínica de alta prevalência em pacientes senis, ainda pouco diagnosticada. Considerando a prática clínica e o envelhecimento da população, torna-se imprescindível a investigação, reconhecimento e tratamento desses quadros, visto que estes processos poderiam evitar precocemente desfechos piores, preservando a qualidade de vida e funcionalidade do idoso.

Palavras-chave


Delirium; Idoso; transtorno mental orgânico



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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