DOENÇA DE MACHADO-JOSEPH

leonardo silva grassi

Resumo


A doença de machado Joseph (DMJ), também conhecida como ataxia espinocerebelar do tipo três, é uma doença neurodegenerativa autossômica dominante, em que o quadro clínico se manifesta tardiamente com idade média de aparecimento aos 40,2 anos e expectativa de vida aproximada de 18 anos após o diagnóstico. Devido a sua alta prevalência entre as doenças espinocerebelares, escolheu-se fazer uma revisão de literatura, com enfoque nos aspectos clínicos da patologia. Para realizar esta revisão foram feitas pesquisas em base de dados (SciELO) e “PubMed”, revisando em artigos entre 2007 e 2017. Utilizou-se como termos de busca “Doença de machado-Joseph”, “ataxia espinocerebelar do tipo 3”, “Aspectos clínicos da doença de machado-Joseph” e “ novas perspectivas na doença de machado-Joseph”, totalizando sete obras. A nomeação do conjunto de manifestações da ataxia espinocerebelar do tipo três como doença de Machado-Joseph foi proposta por Coutinho e Andrade em 1978, após estudos com doentes de famílias açorianas, entre elas as família Machado e a família Joseph, a partir disso, entendeu-se que os genes da doença hereditária foram levados a outros países através da colonização. Entre as doenças espinocerebelares, a frequência de DMJ relativa no Brasil é de (60-92%). Estudos divulgados no “PubMed” mostram que na região do Rio Grande do sul a taxa de prevalência é de 1,8:100.000 habitantes. A DMJ envolve o sistema cerebelar, piramidal, extrapiramidal, motor-periférico e óculo-motor e cursa com 5 Fenótipos. O tipo 1 é caracterizado por síndrome ataxica leve associado a oftalmoplegia externa progressiva(OEP) e sinais piramidais e/ou extrapiramidais (distônia) predominantemente, sendo de aparecimento precoce. Já o tipo 2 ,mais frequente, caracteriza-se por síndrome cerebelar, associada a oftalmoplegia progressiva e sinais piramidais e/ou extrapiramidais ou periféricos , que quando presentes possuem leve intensidade. O tipo 3 cursa com ataxia cerebelar, OEP, disartria, e sinais do sistema nervoso periférico, com ou sem manifestações piramidais ou extrapiramidais. O tipo 4 apresenta manifestações clínicas parkinsonianas, déficit cerebelar moderado e amiotrofia. O fenótipo 5 cujo, muito raro, é caracterizado por um quadro de paraplegia espástica progressiva. Na fisiopatologia, a neurodegeneração ocorre por conta de uma toxicidade proteica. A proteína Ataxina-3 expandida decorre da mutação do gene ATXN3, por repetição polimórfica de trinucleótidos CAG. Sabe-se que a proteína ataxina-3 tem participação na homeostasia, na transcrição genética e na regulação do citoesqueleto, e a não realização destas funções acaba levando a morte celular. Atualmente não existem estudos que expliquem a patogênese da DMJ. O diagnóstico da doença é feita através dos achados clínicos em conjunto com histórico familiar confirmado geneticamente e com um teste genético que identifica a mutação do gene ATXN3 no cromossomo 14. Não há nenhum tratamento que pare a progressão da doença, porém existem medidas sintomáticas para algumas manifestações clínicas. A analise dos pacientes ao longo dos anos permitiu elucidar os achados clínicos da DMJ além de ampliar ainda mais a grande variedade fenotípica da doença e caracteriza-las.

Palavras-chave


Doença de Machado-Joseph; Ataxia cerebelar do tipo 3; Doença neurodegenerativa autossômica dominante.



REVISTA UNIPLAC
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