AVALIAÇÃO E ACESSO À VIA AÉREA

Thays Colombo

Resumo


A avaliação da via aérea (VA) compreende análise conjunta da história clínica e do exame físico, visando antever a presença de via aérea difícil (VAD). O exame físico deve ser efetuado para identificar se dois objetivos no controle da VA podem ser atingidos: ventilação e intubação. Tem-se por objetivo mostrar que a combinação de diferentes achados do exame físico permitem aumentar o grau de previsão de uma VAD antecipada e a não utilização de testes que possam apontar dificuldades reais leva a abordagem despreparada da VAD, o que predispõe o paciente a situações de risco para hipoxemia. Dessa forma, a sintética revisão bibliográfica foi baseada em artigos publicados entre 2006 e 2015 nas bases de dados SciELO, livros e tratados de Anestesiologia. Nessa conjuntura, Mallampati em 1985, demonstrou que em pacientes nos quais, em posição sentada, apenas o palato mole é visível quando em abertura máxima da boca e protusão máxima da língua, a intubação será provavelmente difícil. Já naqueles em que é possível observar ainda a úvula e os pilares amigdalianos, prevê-se facilidade na intubação traqueal. Achados não desejáveis no exame físico e preditivos de intubação difícil são: incisivos superiores longos, arcada superior protusa, Mallampati maior que II, palato arqueado ou estreito, pescoço curto ou grosso, distancia tireomentoniana <3 dedos médios. Já a ventilação difícil refere-se a impossibilidade em manter a saturação de oxigênio (SaO2)>90% sob uso de máscara de ventilação. Preditivos de risco para ventilação difícil sob máscara facial incluem 2 ou mais fatores: presença de barba, ausência de dentes, IMC > 26kg/m2, idade>55 anos, história de ronco. A ventilação com máscara facial é essencial para a gestão das vias aéreas. É utilizada durante a indução anestésica e como uma técnica de resgate durante as tentativas falhas. A regra geral é que, se três tentativas de intubação falharem, deve-se prosseguir com procedimentos alternativos. Assim, diversos fatores interferem no sucesso da intubação traqueal, a classificação de Cormack é utilizada para descrever o grau de visualização glótica sob laringoscopia direta e prever se será uma intubação fácil ou difícil. O correto posicionamento do paciente é crucial para o sucesso da intubação. A posição olfativa, que consiste na flexão do pescoço sobre o tórax com hiperextensão da cabeça sobre o pescoço, alinha os eixos oral, faríngeo e laríngeo, o que promove melhor visualização das pregas vocais, grande abertura da boca, desloca a epiglote para fora do eixo visual e diminui a resistência para a passagem do ar. Logo, o primeiro passo no processo de intubação é pré-oxigenação do paciente sob máscara facial. Através da pré-oxigenação com oxigênio a 100%, os pacientes podem manter a saturação mínima de oxigênio acima de 90% por mais de 6 minutos. A pré-oxigenação é um passo crucial para iniciar a intubação, pois ela pode fornecer tempo extra para assegurar a via aérea. Por conseguinte, uma avaliação de via áerea difícil permite para garantirmos a segurança de nosso paciente não basta exclusivamente o conhecimento ou treinamento nas diversas técnicas e dispositivos para o manuseio da VA. É importante lembrar que apenas através de uma simples avaliação prévia das vias aéreas, é possível antecipar boa parte dos eventuais problemas e com isso, planejar antecipadamente condutas para superá-los.

Palavras-chave


via aérea; intubação; máscara facial



REVISTA UNIPLAC
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