Revisão Bibliográfica: sobre parto cesariana e suas indicações

Ricardo da Silva Penteado Junior, Claudia Ana Modesti

Resumo


O presente estudo apresenta uma revisão bibliográfica sobre diferentes aspectos envolvidos na escolha do parto cesáreo, diante dos altos índices desse procedimento obstétrico evidenciados durante a realização da Unidade Educacional Eletivo, tendo como objetivo discutir diferentes aspectos relacionados à alta incidência de cesarianas no Brasil. O estudo foi originado a partir da experiência acadêmica na área de Ginecologia e Obstetrícia durante a Unidade Educacional Eletivo do Curso de Medicina, durante o mês de setembro do ano de 2017. A cesariana corresponde a uma das cirurgias mais comumente realizadas em mulheres no mundo todo, sendo que a incidência desse procedimento obstétrico no Brasil é extremamente alta. De acordo com a Secretaria de Vigilância em Saúde a taxa de cesarianas no Brasil era de 32%, em 1994, e de 52%, em 2010, sendo menor no Norte e Nordeste do país. Mulheres submetidas a cesáreas tiveram 3,5 vezes mais probabilidade de morrer e 5 vezes mais de ter infecção puerperal que as de parto normal. Esses números são alarmantes, visto que, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1985 é de que somente 15% dos partos sejam realizados por meio da operação cesariana. A literatura apresenta diferentes motivos responsáveis pelo aumento da demanda de cesarianas no Brasil, entre eles pode-se citar: O aprimoramento das técnicas cirúrgicas e anestésicas, aliadas a redução dos riscos pós-operatórios; a conveniência dos médicos em realizar a operação; fatores socioculturais; orientações precárias às gestantes sobre as vias de parto e indicações para a cesárea. A alta demanda de cesarianas sem indicação representa um problema de saúde pública, visto que, por se tratar de um procedimento cirúrgico, apresenta maiores riscos que um parto por via vaginal, além de proporcionar um custo financeiro adicional, pois a puérpera permanece em um período maior de internamento. Diversas medidas vêm sendo tomadas para reduzir ou estabilizar as taxas de cesarianas, como: expor as vantagens do parto normal por meio de campanhas governamentais, evitar a admissão da parturiente na fase latente do trabalho de parto, suporte à gestante ao longo do trabalho de parto, analgesia obstétrica e incentivos financeiros ao obstetra pelo acompanhamento do trabalho de parto. Por fim, constata-se que a incidência de partos cesáreos vem aumentando ao longo dos anos no Brasil, com índices superiores ao preconizado pela Organização Mundial da Saúde. Assim, é importante que os profissionais da saúde tomem decisões criteriosas, baseadas em evidências científicas, quando da escolha do parto cesáreo.

Palavras-chave


Obstetrícia; Cesariana; Parto; Epidemiologia



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
EDITORA UNIPLAC | PORTAL DE REVISTAS UNIPLAC
e-mail: propepg@uniplaclages.edu.br | Fone: (49) 3251-1009
Copyright 2012. Editora UNIPLAC