NEUROCRIPTOCOCOSE

jamille hoffer

Resumo


A criptococose é a principal infecção fúngica que atinge o sistema nervoso central, acometendo principalmente pacientes com algum grau de imunossupressão. Tal patologia ocorre como primeira infecção oportunista em cerca de 4% dos casos de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), sendo a neurocriptococose a mais frequente manifestação da forma disseminada da doença. A neurocriptococose foi uma das doenças estudadas durante a Unidade Educacional Eletivo, realizada no Hospital Nereu Ramos (Florianópolis-SC), onde foram diagnosticados, em um mês, sete pacientes. Diante dessa realidade, objetivou-se com este estudo realizar breve revisão bibliográfica sobre a Neurocriptococose. Foi utilizado o descritor “neurocriptococose em pacientes imunossuprimidos” como estratégia de busca, resultando em três artigos sobre a patologia. Segundo as literaturas revisadas, a Criptococose é uma enfermidade fúngica grave, causada pela inalação de basidiósporos do fungo Cryptococcus neoformans. O fungo é encontrado na natureza, como no solo, nos ocos das árvores, em excrementos de aves, principalmente pombos, e uma vez inalados se alojam no pulmão, permanecendo no local durante anos sob a forma latente, podendo disseminar-se para os tecidos extra-pulmonares, por via hematogênica, alojando-se principalmente no cérebro e nas meninges, quando ocorre uma queda ou desequilíbrio da imunidade celular. Assim, quando o fungo Cryptococcus neoformans acomete o sistema nervoso central, sua manifestação mais comum é a meningoencefalite, ocorrendo em mais de 80% dos casos, quer sob a forma isolada ou associada ao acometimento pulmonar. De acordo com as bibliografias revisadas, o quadro neurológico provocado pelo fungo é semelhante nos diferentes grupos de risco e consiste em: cefaleia atípica refratária a medicações, alteração do estado mental, febre, afasia, ataxia e sinais de hipertensão intracraniana (HIC). Um episódio de meningite criptocócica pode evoluir com um número significativo de sequelas e déficits neurológicos, sendo as mais frequentes: diminuição da capacidade mental (30%), redução da acuidade visual (8%), paralisia permanente dos nervos cranianos (5%) e hidrocefalia. O diagnóstico da criptococose é essencialmente clínico e laboratorial, esse último sendo realizado através do estudo do líquido cefalorraquidiano (LCR). Atualmente, três drogas antifúngicas são utilizadas no tratamento de meningoencefalite criptocócica em pacientes com AIDS: anfotericina B, fluconazol e flucitosina, sendo fundamental o manejo da hipertensão intracraniana através da punção lombar intermitente. Tendo em vista o crescimento do número de casos de paciente com HIV/AIDS, faz-se necessário compreender que o comprometimento da imunidade celular é considerado o principal fator predisponente para a infecção pelo Cryptococcus spp. Diante de tais fatos, conclui-se que a infecção pelo fungo Cryptococcus neoformans está realmente associada à imunossupressão, sendo a AIDS uma associação importante e frequente.

REFERÊNCIAS

PINCER, Valéria de Mello. Estudo dos casos de pacientes com neurocriptococose atendidos no Hospital Eduardo Menezes no período de 2007 a 2012. 2012. 93f. Dissertação (Mestrado em Medicina e Biomedicina) – Pós-Graduação em Medicina e Biomedicina. Grupo Santa Casa de Belo Horizonte. Belo Horizonte, 2012. Disponível em: . Acesso em: 12 set., 2017.

RELATÓRIO TÉCNICO. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Uberaba (MG), v. 41, n. 5, p. 524-44, set./out., 2008. Disponível em: . Acesso em: 12 set., 2017.

VENTURA, Cássia Maria Costa. Neurocriptococose. Relato de caso em paciente HIV negativo. 19f. Trabalho de Conclusão de Curso. Disponível em: . Acesso em: 12 set., 2017.

Palavras-chave


Cryptococcus neoformans, neurocriptococose, HIV, AIDS



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