Síndrome do Roubo da Fístula Arteriovenosa: uma breve revisão

Isaura Marchi

Resumo


A Insuficiência Renal Crônica (IRC) consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins – glomerular, tubular e endócrina. Em sua fase terminal, os rins não conseguem manter a normalidade do meio interno do paciente, sendo necessária a terapia renal substitutiva até a realização de um transplante . Dos métodos dialíticos existentes, a hemodiálise é o mais bem tolerado pelos pacientes. A Fístula Arteriovenosa -FAV- é o melhor acesso vascular para esta finalidade, pois apresenta poucas complicações e possibilita o tratamento por longo prazo, prolongando, assim, a vida destes pacientes. A via de acesso inicial para confecção da fistula, consiste em uma anastomose direta entre a artéria radial e a veia cefálica no punho ou braquial-cefálica no cotovelo. Entre as mais raras complicações da FAV, há a Síndrome do Roubo, estima-se que sua prevalência ocorra em cerca de 1 a 8% nos membros superiores. O objetivo desse trabalho é apresentar uma revisão de literatura acerca da Síndrome do Roubo da Fístula Arteriovenosa, bem como seus possíveis tratamentos. Foi analisada a base de dados Scientific Eletronic Library Online (SCielo), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Kidney International, The International Journal of Artificial Organs e Livros Texto, utilizando Síndrome do Roubo e Fístula Arteriovenosa como palavras de busca. A etiopatogenia da Síndrome do Roubo é devida ao menor afluxo sangüíneo distal, devido ao desvio do sangue arterial que se direciona à FAV. Tal desvio resulta em isquemia distal do membro em que a FAV é confeccionada, em casos mais graves, pode resultar na perda do membro. O quadro clínico se caracteriza por palidez cutânea, diminuição de pulsos distais ao acesso, claudicação do membro, podendo apresentar inclusive parestesias, lesões tróficas e sinais de necrose . O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado por métodos vasculares não-invasivos, tais como índice de pressão, fotopletismografia digital e/ou mapeamento duplex ou, ainda, pela arteriografia. Dentre os vários tipos de tratamentos cirúrgicos para a síndrome do roubo secundária à FAV, há a ligadura arterial da FAV, sendo necessária a confecção de um novo acesso. Uma alternativa pouco utilizada no Brasil, é a revascularização distal interposta por ligadura (distal revascularization interval ligation – DRIL) que além de tratar a isquemia, preserva o acesso e garante o tratamento dialítico. Conclui-se, portanto, que apesar de rara, a Síndrome do Roubo da Fístula Arteriovenosa merece atenção, pois sua ocorrência acaba dificultando ainda mais o manejo dos pacientes em diálise. O tratamento deve, portanto, não só buscar resolução imediata para os sintomas isquêmicos referidos pelos pacientes, mas também preservar o acesso venoso ali confeccionado.

Palavras-chave


Fístula Arteriovenosa; Síndrome do Roubo; Hemodiálise.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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