SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO

José Carlos Sandi Filho

Resumo


O presente trabalho relata a experiência acadêmica na área de Ortopedia e Traumatologia durante a Unidade Educacional Eletivo do Curso de Medicina do 3º ano, no período de 31/07/17 à 02/09/17. Ao longo do Eletivo foi possível acompanhar diversos pacientes com quadro de Síndrome do Túnel do Carpo, fato este que despertou interesse em realizar uma breve revisão bibliográfica sobre o tema. O estudo apresenta anatomia e causas da síndrome, analisando formas de diagnóstico e condutas. A pesquisa teve como base livros da área ortopédica e traumatológica. O túnel do carpo é um túnel osteofibroso inextensível definido como o espaço situado entre o retináculo dos flexores (RF), que constitui o teto, e a caneleta carpiana, o fundo. Ele é delimitado na borda ulnar pelo hâmulo do hamato, o piramidal e o pisiforme e na borda radial pelo escafóide, o trapézio e o tendão do flexor radial do carpo (FRC). A base é formada pela cápsula e os ligamentos radiocárpicos anteriores recobrem as porções subjacentes do escafóide, do semilunar, do capitato, do hamato, do trapézio e do trapezoide. O nervo mediano é acompanhado pelos quatro tendões dos flexores superficiais dos dedos (FSD), os quatro tendões dos flexores profundos dos dedos (FPD) e o tendão flexor longo do polegar (FLP). A causa mais frequente da síndrome do Túnel do Carpo é a diminuição do tamanho do túnel. Outras causas frequentes são aumento do conteúdo do canal (fraturas, luxações, tumores, cistos sinoviais, trombose artéria medial) e pressão no túnel do carpo superior: posição neutra 25mm/Hg, flexão 31mm/Hg e extensão 30mm/Hg. Na síndrome, o paciente refere parestesia no território do nervo mediano, apresentando formigamento, queimação, dormência e dor contínua. O exame clínico deve ser realizado comparativamente nos dois membros superiores, iniciando com inspeção, seguido de palpação e testes especiais, entre eles: Teste de Phalen (flexão aguda do punho por 60 segundos), Teste de Tinel (percutir as regiões do carpo e do túnel de Gyon) e o Teste de Durkan (compressão do túnel com polegares ou bulbo de aparelho de pressão). Para confirmar diagnóstico, habitualmente, é solicitado Eletroneuromiografia (ENMG), o qual, em sua maioria, apresenta variação de pressões confirmando a Síndrome do Túnel do Carpo. Feito o diagnóstico, decide-se um plano terapêutico. A indicação de tratamento é individualizada e tem muitas variáveis (idade, grau de incomodo e grau de dor). Na escolha do tratamento conservador a tala de restrição é recomendada na ausência de atrofia tênar, associado a uso de Anti-inflamatório não esteroide, corticoide intramuscular ou injetável e fisioterapia. Uma vez decidido o tratamento cirúrgico, ocorrerá à liberação de todos os componentes do retináculo flexor. Pós-operatório dá-se pela tala gessada palmar por 14-21 dias. A Síndrome do Túnel do Carpo é uma patologia ortopédica recorrente e, se não diagnosticada corretamente, pode levar a um quadro patológico incapacitante. Portanto, é de suma importância o diagnóstico e manejo de tal comorbidade visando uma melhor qualidade de vida para o paciente.

Palavras-chave


Túnel do Carpo; Parestesia; Etiologia; Terapia;



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ISSN 2447-2107
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