USO DO ANTICORPO MONOCLONAL EVOLOCUMAB CONTRA DISLIPIDEMIAS E CONSEQUENTES DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Rodrigo Fornari Müller

Resumo


A maior causa de mortalidade e morbidade no mundo é a doença cardiovascular, que possui relação já bem estabelecida com a dislipidemia. Diante desse cenário, surgem novas terapias medicamentosas como o Evolocumab, um anticorpo monoclonal que inibe a pró-proteína convertase subtilisina-kexin tipo 9 (PCSK9). A PCSK9 liga-se ao fator de crescimento epidérmico de repetição do domínio A (EGF-A) do receptor de lipoproteína de baixa densidade (R-LDL), destruindo esse receptor e causando diminuição do metabolismo das lipoproteínas de baixa densidade. O objetivo deste trabalho é expor conteúdo para ampliar o conhecimento público sobre a terapia com o Evolocumab e unir as divergências sobre os resultados da terapia encontradas nos artigos científicos consultados. Este estudo caracteriza-se por ser de caráter qualitativo e descritivo. A coleta de dados foi realizada por meio de revisão bibliográfica exclusiva em três artigos científicos que foram publicados no The New England Journal of Medicine a partir de 2015, utilizando-se como descritores: Dislipidemias e Evolocumab. A análise dos três artigos científicos utilizados demonstra que o uso do Evolocumab, aplicado com injeção no subcutâneo, em doses de 140mg a cada 2 semanas ou em doses de 420mg 1 vez ao mês combinado com a terapia padrão com estatinas, se comparado com placebo combinado com a terapia padrão com estatinas, causou uma redução de aproximadamente 60% dos níveis do colesterol LDL, 52% no colesterol não HDL, 48% nas apolipoproteinas B, 36% no colesterol total, 12,5% nos triglicerídeos e 25,5% nas lipoproteinas(a), além de aumentar em 7% e 4% os níveis, respectivamente, do colesterol HDL e das apolipoproteinas A1. Estes resultados foram alcançados com 12 semanas de uso da terapia e se mantiveram constantes durante follow-ups de em média 11,1 meses e 2,2 anos. Em uma das pesquisas a influência do Evolocumab em eventos cardiovasculares não foi conclusiva, porém em outras duas foi descrito estatisticamente, com divergências, melhorias no quadro cardiovascular dos pacientes. Os resultados mais atualizados demonstram que a ocorrência de parada cardíaca, IAM, AVC, angina instável com hospitalização ou necessidade de revascularização coronariana caiu de 11,3% para 9,8% (hazard ratio 0,85) e quando avaliados apenas parada cardíaca, IAM e AVC a ocorrência caiu de 7,4% para 5.9% (hazard ratio 0,80). Os resultados da pesquisa mais antiga avaliada mostram que em um ano houve redução na mortalidade, IAM, angina instável com hospitalização, necessidade de revascularização coronariana, AVC, AIT e parada cardíaca, com índices caindo de 2,18% para 0,95% (hazard ratio 0,47). A ocorrência de efeitos adversos foi similar, em todas as pesquisas, no grupo de tratamento padrão e no grupo de tratamento padrão aliado ao Evolocumab, apesar de reações no local da injeção terem sido relatadas em aproximadamente 3% dos pacientes. Considera-se então que o tratamento padrão com estatina aliado ao Evolocumab traz resultados positivos na redução do colesterol LDL e, mesmo com resultados divergentes, diminui a ocorrência de eventos cardiovasculares sem trazer significantes novos efeitos adversos.

Palavras-chave


Anticorpos Monoclonais; Dislipidemias; Doenças Cardiovasculares; Evolocumab; PCSK9.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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