Teste de tolerância oral à glicose no pré-natal

Graziela Társis Araujo Carvalho, Fernando Murilo Martynetz

Resumo


Durante a segunda metade da gestação, a mulher desenvolve resistência à insulina, resultado de uma adaptação fisiológica para garantir aporte adequado de glicose ao feto. Entretanto, uma acentuação no quadro de hiperglicemia pode ser desenvolvida, como nos casos de sobrepeso/obesidade, obesidade central e síndrome dos ovários policísticos, que associados à ação dos hormônios placentários anti-insulínicos, caracterizam o diabetes mellitus gestacional (DMG), trazendo efeitos adversos maternos e fetais. O teste de tolerância oral à glicose (TTOG) é importante na diagnóstico de DMG e a forma de usá-lo gera discussões. Esta revisão tem como objetivo avaliar as controvérsias sobre o uso de TTOG no pré-natal, e para tanto realizou-se revisão bibliográfica acessando-se as seguintes bases de dados em busca de citações relevantes: PUBMED (2010-2017) e SCIELO (2010-2017). No estudo também foi inserido, dada a relevância, um artigo mais antigo. Em PUBMED, os descritores utilizados foram ‘teste de tolerância a glucose’, ‘cuidado pré-natal’ e ‘diabetes gestacional’, combinados usando os operadores ‘e’ e ‘ou’, sem restrições de língua, gerando um conjunto de citações para a revisão em questão. Esta estratégia de pesquisa foi adaptada quando necessário para uso na outra base de dados eletrônica. Do levantamento, foram excluídos resenhas e artigos não indexados, assim como publicações que ficassem distantes do tema ou com ausência de referências bibliográficas. Destes, uma parte foi excluída através de leitura seletiva e analítica por não se adequarem ao objetivo do presente estudo. Foi realizada leitura interpretativa nos artigos restantes, relacionando o seu conteúdo com o objetivo da pesquisa. Um dos tipos de TTOG compreende a ingestão de 75 g de glicose diluídos em água e medidas de glicemia em jejum (GJ), após 1 hora e após 2 horas da ingestão da glicose. Para o rastreamento do DMG com TTOG há muitas controvérsias e diferentes protocolos: indicação universal (todas as gestantes) ou seletiva (apenas se a GJ estiver acima de um valor pré-estabelecido); cronograma precoce ou somente entre 24 e 28 semanas gestacionais; tipo de triagem (diferentes quantidades de glicose e diferentes intervalos de tempo para realização das medidas) e variados critérios locais, regionais, internacionais e institucionais para diagnóstico. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda avaliar a GJ e a presença de fatores de risco logo na primeira consulta e, se o rastreamento for positivo, a gestante deve ser submetida ao TTOG. Embora o uso universal de TTOG atinja as taxas de detecção de DMG mais altas, também levanta questionamentos, pois se trata de um teste desagradável, demorado, caro, e muitas vezes intolerável. Além disso, uma consequência de um resultado falso positivo seria um teste de diagnóstico desnecessário, inconveniente e causador de ansiedade para a gestante. Conclui-se que os inúmeros protocolos para uso de TTOG foram definidos por consenso de sociedades ou por opinião de especialistas, ambos considerados como os mais baixos níveis de evidência científica, confundindo serviços de saúde e pesquisas. Na escolha de como aplicar o TTOG, o custo-benefício, a eficácia e até mesmo a iatrogenia devem ser considerados.

Palavras-chave


Teste de tolerância a glucose; Cuidado pré-natal; Diabetes gestacional.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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