Macrossomia fetal em mulheres diabéticas e sua relação com a ultrassonografia obstétrica

Graziela Társis Araujo Carvalho

Resumo


A incidência de anomalias fetais na gravidez diabética é muito maior que na gravidez normal, e a morbimortalidade também é cerca de 3-4 vezes maior. A hiperglicemia materna causa a hiperglicemia fetal e a hiperinsulinemia, que pode levar à macrossomia. A macrossomia fetal é definida como peso estimado ao nascer >=4000g ou acima do percentil 90 a partir de 34 semanas de gestação, e está associada a várias complicações maternas e fetais. O uso da ultrassonografia (USG) como forma de diagnóstico apresenta por vezes resultados conflitantes, portanto, o objetivo desta revisão é avaliar o uso da ultrassonografia obstétrica na detecção de macrossomia fetal em mulheres diabéticas. Realizou-se revisão bibliográfica acessando-se as bases de dados PUBMED (2002-2017) e SCIELO (2002-2017). Os descritores utilizados foram ‘ultrassom’, ‘diabetes na gestação’ e ‘macrossomia fetal’, sem restrições de língua. Do levantamento, foram excluídos resenhas e artigos não indexados, assim como publicações que ficassem distantes do tema ou com ausência de referências bibliográficas. Destes, uma parte foi excluída através de leitura seletiva e analítica por não se adequarem ao objetivo do presente estudo. Foi realizada leitura interpretativa nos artigos restantes, relacionando o seu conteúdo com o objetivo da pesquisa. Fetos de mães diabéticas geralmente mostram um padrão de crescimento alterado, grande para idade gestacional (GIG), necessitando assim de uma ultrassonografia pré-natal. Nos casos de GIG, o diabetes altera as medidas biométricas fetais, como exemplo o aumento do tamanho toracoabdominal. O ultrassom é útil para a vigilância fetal, avaliação de complicações fetais relacionadas ao diabetes, intervenções guiadas por imagens e no manejo obstétrico das gravidezes complicadas. Também pode ser útil para determinar a necessidade de terapia farmacológica precoce para controlar a hiperglicemia materna no diabetes e, se realizada por profissionais experientes a partir do segundo trimestre gestacional, pode detectar 40-70% das principais anomalias congênitas relacionadas ao diabetes. O papel da USG para detectar o peso de fetos GIG não é confiável por causa das características assimétricas de crescimento fetal, entretanto, a realização de várias medidas por ultrassonografistas diferentes pode aumentar o valor preditivo positivo. Além disso, a medida da circunferência abdominal fetal com mais gordura subcutânea (camada sensível à insulina) é particularmente útil na identificação da macrossomia, assim como a adição de informações clínicas. No exame, a postura fetal, a obesidade materna, a idade gestacional precoce ou cicatriz abdominal anterior podem proporcionar baixa qualidade das imagens, exame incompleto ou repetição do exame. Em um dos estudos analisados, o método bidimensional (2D) mostrou-se superior ao tridimensional (3D) para prever macrossomia e estimar o peso fetal em mulheres diabéticas quando usado 2 semanas antes do parto; já em outros trabalhos, o 2D teve baixa precisão na gestação avançada, tornando o 3D uma alternativa ao monitoramento de tecidos moles, embora ofereça campo de visão limitado e dificulte a visualização completa do feto. Conclui-se que a ultrassonografia obstétrica exerce um papel importante na monitoração do crescimento fetal em gestações complicadas por diabetes, e para o diagnóstico de macrossomia fetal deve ser feita com a realização de medidas biométricas sucessivas.

Palavras-chave


Ultrassonografia Obstétrica; Macrossomia Fetal; Diabetes Mellitus.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
EDITORA UNIPLAC | PORTAL DE REVISTAS UNIPLAC
e-mail: propepg@uniplaclages.edu.br | Fone: (49) 3251-1009
Copyright 2012. Editora UNIPLAC