A práxis da Psicologia no escritório de uma Comunidade Terapêutica da Região Serrana de SC

Jaiane Branco, Aline Bernardi, Maria Eduarda da Rocha Rodrigues, Marcia Regina Conceição de Souza

Resumo


O Projeto de extensão no Escritório de uma Comunidade Terapêutica da Região Serrana é vinculado ao estágio profissionalizante do curso de Psicologia e acontece sob a perspectiva da Psicologia Social Comunitária, uma área da psicologia que estuda a atividade do psiquismo que decorre do modo de vida em comunidade, busca o desenvolvimento da consciência dos sujeitos, entendendo sua formação como histórica e comunitária, constituída e constituinte do meio que está inserido, tendo como principal objetivo a transformação do indivíduo em sujeito. A intervenção psicossocial deve ser pautada em sua inserção na comunidade que possibilite mudança das condições vividas cotidianamente pela população, ao mesmo tempo em que esta é que estabelece os caminhos e aponta as suas necessidades prementes. Sobre a construção do escopo teórico que fundamenta essas práxis, é necessário considerar aquilo concernente as políticas públicas de saúde e comunidades terapêuticas. A Constituição Federal do Brasil (1988) garante que a saúde é um direito fundamental, individual e social, devendo ser mantido pelo Estado, garantido através de políticas públicas que propiciem ações e serviços pertinentes à promoção, proteção e recuperação da saúde, além da redução do risco de doença e de outros agravos. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada, constituindo um Sistema Único de Saúde (SUS) tendo como um dos seus princípios norteadores a integralidade. Esse princípio é destacado aqui, pois está diretamente relacionado à função da comunidade terapêutica e é entendido como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema. As Comunidades Terapêuticas, conforme a Portaria 3.088/2011, se enquadram na modalidade de atenção residencial em caráter transitório, inserida no Serviço de Atenção em Regime Residencial, constituem-se em um espaço de acolhimento, em caráter voluntário, que oferece cuidados contínuos para pessoas do sexo masculino, adolescentes e adultos com problemas associados ao uso nocivo ou dependência de substâncias psicoativas, devendo atuar de forma articulada com a atenção básica e saúde mental. Conforme o Programa de Acolhimento (2016), a instituição oferece tratamento para dependentes químicos buscando a recuperação do ser humano e mudanças no seu estilo de vida. A equipe técnica tem formação profissional multidisciplinar e utiliza o modelo de atenção psicossocial como estratégia de intervenção com o acolhido e sua família, objetivando, dentre outras finalidades, o estabelecimento, resgate e fortalecimento dos vínculos familiares através de grupos de auto e mútua ajuda no intuito de prevenção e tratamento da dependência química. As estagiárias realizaram observação participante no primeiro semestre, e, a partir disso, identificaram necessidades de intervenção juntamente com a equipe e posteriormente planejaram ações que estão sendo desenvolvidas na comunidade terapêutica, no grupo de familiares dos acolhidos e com a rede intersetorial, buscando articular as políticas públicas para maior resolutividade no tratamento e melhora da qualidade de vida dos sujeitos, seus familiares e comunidade.

Palavras-chave


Comunidade Terapêutica; Psicologia; Saúde Pública; Intersetorialide



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