O exercício de autoria e o Ensino Desenvolvimental de Vasili Davydov – possibilidades de uma prática emancipadora

Júlia Moraes

Resumo


O presente trabalho de pesquisa trata essencialmente de uma revisão de literatura cuja temática é a possível relação existente entre o conceito de autoria e a Teoria do Ensino Desenvolvimental. Objetiva-se, a priori, averiguar se é possível estabelecer uma relação entre os resultados do exercício de autoria e o resultado de uma prática pedagógica alinhada com os princípios do ensino desenvolvimental, de Vasili Vasilievich Davydov e Elkonin. Destaca-se, pois, a necessidade de aprofundamento de uma revisão bibliográfica que ofereça aporte teórico sobre os estudos de Davydov, cuja base de análise é a Teoria de Aprendizagem de Lev Vygotsky. A prévia análise conceitual se mostra de crucial importância porque pressupõe-se que o exercício de autoria, a prática da escrita como exercício livre, ou mesmo com objetivos definidos, contribui para o desenvolvimento do autor. Essa transformação não implica, contudo, em progresso apenas para a pessoa enquanto autora de textos. É possível ir além. É possível pensar no impacto que o ato de escrever, o exercício de autoria traz, tanto no que se refere à própria prática de autoria quanto à maneira como o sujeito se percebe e percebe o mundo que compõe e que o compõe. Dessa maneira, pode-se pensar que o desenvolvimento da autoria promove o protagonismo do sujeito, a emancipação, a autonomia daquele que ousa escrever e colocar-se como autor, em seus textos. Esse é o ponto em que convergem os estudos sobre autoria e os estudos sobre o Ensino Desenvolvimental, de Davydov. Esse pesquisador russo preconizava que o ensino desenvolvimental mobiliza, possibilita a transformação de estruturas cognitivas essenciais ao desenvolvimento mental do sujeito. Acreditando ser a educação, em nível conceitual, e a escola em nível prático e institucional, segmentos com grande responsabilidade nos processos de transformações sociais e mesmo particulares para cada ser humano, é de se refletir sobre possibilidades de pensar em um ensino que considere o sujeito como protagonista de seu próprio aprendizado. Não se nega o lugar ou a função-professor. O que se faz é legitimá-la dada a sua importância e o impacto que representa nos processos de aprendizado e desenvolvimento do educando.

Palavras-chave


Autoria; Emancipação; Ensino Desenvolvimental



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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