Nem lá, nem cá: O Sentimento de Não Pertença de Afrodescendentes e Indianos de Pele Escura Presente em O País Sem Chapéu de Dany Laferrière e Aguapés de Jhumpa Lahri.

Maria Cândida Melo Pereira

Resumo


Este trabalho tem por objetivo destacar o sentimento de não pertença presente nas narrativas O País sem chapéu de Dany Laferrière e Aguapés de Jhumpa Lahri. Apesar dessas se desenrolarem em países, culturas e línguas diferentes possui em comum a condição de ex-colonizados marcada principalmente, pelos sentimentos dos personagens Vieux Os de O País sem Chapéu e Subhash de Aguapés de não pertencer a lugar nenhum. Ou seja, estrangeiros no país dos outros (Canadá, Estados Unidos) e no seu de origem e criação (Haiti e Índia). Essas observações se dão sob a ótica das teorias de Edward Said, Francis Fanon, Stuart Hall. Homi Bhabha, Ana Mafalda Leite e G. Spivak. Pretende-se aqui destacar esse sentimento de não-pertença, de estranhamento e de distanciamento da cultura estrangeira como também da própria. Desse modo, faz-se necessário uma breve explanação do que é a não pertença a fim de explicar como ela atua na vida das personagens dessas narrativas. Logo, para compreendê-la é preciso, em primeiro lugar, buscar o significado de sua forma afirmativa. Desse modo, a introdução da palavra não à pertença, faz com que todos esses conceitos sejam anulados e se apresentam assim nas narrativas: País Sem Chapéu e Aguapés. Verifica-se que as personagens das duas narrativas encontram um lugar diferente daquele mantido em sua memória quando retornam ao país de origem, aonde quase tudo lhes é estranho: as pessoas, os costumes, o cheiro. O cheiro que antes lhes parecia normal, agora é ruim, desagradável. Assim, o sentimento da não pertença comparece do início ao final das narrativas, no dia a dia de Vieux Os (País Sem Chapéu) e Subhash (Aguapés), uma vez que no Canadá, o primeiro era só mais um operário negro imigrante que se perdia entre outros na mesma situação. Quanto ao segundo, apesar da sua condição de doutor em Oceanografia, formado pela universidade de Rhode Island, Estados Unidos e depois fazer parte do seu quadro de docentes, continuava a ser um indiano, de pele mais escura, um intelectual, mas assim mesmo um estrangeiro. Portanto, despatriados tanto em um lugar quanto em outro.

Palavras-chave


Deslocamento; Não pertença; Pós-colonialismo.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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