Relações entre cinema e arquitetura: A sociedade e a cidade modernas a partir da obra de Jean-Luc Godard

Fernando Calvetti, Maria Luiza Cifuentes, Louise Reis, Jenniffer Vargas

Resumo


O presente projeto propõe uma pesquisa interdisciplinar entre sociologia, arquitetura e cinema. A pesquisa está em andamento e se encontra na sua fase de definição metodológica. Através de obras a serem escolhidas dentro da filmografia do diretor francês Jean-Luc Godard se discutirá o cinema como documentação da sociedade e de como as cidades são determinantes como paisagem e influenciadoras das ações das personagens no cinema moderno assim como no indivíduo das cidades moderna e contemporânea. Escolhe-se a obra de Godard por ser o nome mais representativo e com obra mais vasta da escola francesa, sendo essa a que melhor representa a sociedade moderna em detrimento das outras linhas de cinema vanguardista. A fundamentação teórica se dá a partir de obras que estabeleçam uma base coerente que defina as principais características do modernismo e do pensamento modernista nas artes, assim como definições claras da arquitetura e cidade modernas. Embora o pensamento moderno no cinema seja cronologicamente posterior ao que se considera o início do modernismo nas outras artes, é preciso levar em consideração que a própria arte cinematográfica, como atividade amadora ou profissional, nasce no fim do século XIX. O conjunto de movimentos culturais e estilos que definiram ou se auto definiram em diferentes setores e tipos de arte como movimento moderno partiu do princípio de que as formas ditas tradicionais de arte e mesmo organização social estavam ultrapassadas e não mais representavam a sociedade em suas novas e mais complexas relações. O cinema moderno de vanguarda rompe também completamente com esse modo de pensar. Neste contexto a cidade ganha importância como local de acontecimentos em contrapartida ao campo visto como local de descanso e pureza. Entende-se que é na arquitetura e no desenho urbano onde esse conceito melhor seja visualizado como definidor da nova sociedade. Novos valores são levados em consideração nessa formatação de movimento, e questões antes ignoradas ou simplesmente inexistentes torna-se de grande importância para o planejamento do bem individual e coletivo, como se pode ver em modo documental na Carta de Atenas, resultado do IV Congresso Internacional de Arquitetura Moderna (CIAM), em 1933. A arquitetura modernista representa, também, uma ruptura com a história dos estilos e modos de pensar que o antecederam. No filme À Bout de Souffle de 1960, considerado um dos maiores símbolos da Nouvelle Vague, a nova onda do cinema francês, vemos a Paris moderna, clara, limpa e oponente personificada na personagem da jovem estudante Patrícia em oposição ao campo e à periferia, que aqui serve apenas de esconderijo e rota de fuga para o personagem Michel depois de seus pequenos crimes. Os dois papéis e idas e vindas amorosas do casal sugerem também a relação de desprendimento da visão realista do modernismo traduzida na jovem estudante e de um mundo com uma visão mais romântica e agora ultrapassada na pessoa do ladrão mais velho. O estudo dessas relações busca contribuir com o estudo e entendimento da sociedade e cidade contemporâneas.

Palavras-chave


Cinema; Arquitetura; Sociedade



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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