Cidades médias como alternativa para a qualidade de vida urbana.

Eduardo Firmino Barbosa, Rafael Marcos Zatta Krahl

Resumo


As cidades de porte médio ou intermediárias têm surgido, no processo de desenvolvimento recente do território urbano brasileiro, iniciado a partir da década de 1970, como parte importante da desconcentração regional, devido, principalmente, ao fato de possuírem posição estratégica na rede urbana do Brasil e potencial de crescimento em condições de se evitarem ou, pelo menos, minimizarem-se os problemas decorrentes da urbanização com difíceis soluções em grandes aglomerações populacionais, tais como as regiões metropolitanas. Este artigo traz uma visão geral sobre o papel importante dessas cidades na dinâmica territorial brasileira, destacando os aspectos que as caracterizam. Os problemas decorrentes da urbanização tardia, sem planejamento e que privilegiou os automóveis em detrimento das pessoas, no Brasil, agravam-se à medida que o espaço urbano se modifica menos e a uma velocidade mais lenta do que a sociedade, fato que, num contexto de falta de planejamento e integração entre os elementos que compõem a cidade, causa diversos problemas de caráter social, econômico e espacial. As cidades médias estão inseridas em um grupo de cidades caracterizados como Brasil urbano não-metropolitano, que pode ser reconhecido na interiorização da urbanização, que tem particular manifestação em novas frentes de valorização urbana, referenciadas, principalmente, a novas necessidades criadas pela agricultura moderna, pela mineração e por certo tipo de indústria. Tratam-se de agrupamentos de cidades, antes isoladas, que se articulam em torno de determinadas atividades. Nesse grupo, as cidades possuem novos papéis urbanos, não isoladas da rede urbana, mas como cidades consagradas a desenvolverem uma alta e competitiva especialização funcional. Quando se refere à cidade considerando apenas seu caráter demográfico, consideram-se cidades de porte médio como aquelas que têm entre 50 mil e 500 mil habitantes. Essa classificação, entretanto, não é suficiente para conceituar essas cidades como cidades médias. São características das cidades médias o tamanho demográfico, sempre presente nos estudos relacionados ao tema; o tamanho econômico, como indicativo da dinâmica econômica deste centro; o grau de urbanização, pois é no espaço urbano em que se realizam as funções articuladoras e prestação de serviços; a qualidade de vida, que expressa a infraestrutura urbana traduzida em segurança e facilidade de deslocamento, por exemplo; e a centralidade, a principal característica, uma vez que nela se apoia o seu poder de articulação entre os diferentes níveis de centros urbanos. Em outras palavras, cidade de “porte médio” não é o mesmo que “cidade média”, à medida que estas desempenham papéis de intermediação em suas redes urbanas, diferenciando-se daquelas definidas, exclusivamente, em função de seu tamanho demográfico. As cidades médias, portanto, desempenham importante papel no desenvolvimento urbano nacional como alternativas para se buscar maior equilíbrio interurbano, interrupção no fluxo migratório em direção às regiões metropolitanas e como centros com problemas urbanos de menores proporções e passíveis de correções, bem como são peças importantes para o desenvolvimento regional.

Palavras-chave


Desconcentração regional; Cidades intermediárias; Centros urbanos emergentes; Dinâmica territorial.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
EDITORA UNIPLAC | PORTAL DE REVISTAS UNIPLAC
e-mail: propepg@uniplaclages.edu.br | Fone: (49) 3251-1009
Copyright 2012. Editora UNIPLAC