Efeito da época de desfolha na coloração do vinho de Cabernet Sauvignon em região de altitude de Santa Catarina

Maytê Cechetto, Douglas André Wurz, Lucas Comachio, Marcus Outemane, Betina Pereira de Bem, Ricardo Allebrandt, Alberto Fontanella Brighenti, Bruno Bonin, Leo Rufato

Resumo


O manejo do dossel vegetativo desempenha papel fundamental no desenvolvimento da videira, sendo fator determinando na composição dos vinhos, com destaque para a manejo da desfolha, que consiste na eliminação de folhas para favorecer o arejamento na região das inflores­cências e dos cachos de uva, proporcionando condições para sua maturação, como melhorar a coloração dos vinhos, visto que a intensidade de cor quanto a tonalidade são atributos importantes de um vinho. Sendo a variedade Cabernet Sauvignon a mais cultivada nas regiões de elevada altitude de Santa Catarina, este trabalho tem como objetivo comparar o efeito da realização do manejo da desfolha em diferentes estádios fenológicas, verificando sua influência na coloração dos vinhos de Cabernet Sauvignon cultivada em regiões de altitude. O presente estudo foi realizado nas safras 2015 e 2016, em um vinhedo comercial de Cabernet Sauvignon, situado no munícipio de São Joaquim – Santa Catarina Os tratamentos consistiram na realização da desfolha manual, expondo a região dos cachos em cinco diferentes estágios fenológicos: plena florada, baga chumbinho, baga ervilha, virada de cor, 15 dias após a virada de cor e plantas sem desfolha (testemunha). A data da colheita foi determinada seguindo os padrões da vinícola, sendo colhidos 60 kg de cada tratamento. As microvinificações foram realizadas na cantina experimental da UDESC de Lages. A cor foi determinada pelo método de espectrofotometria. O extrato foi diluído na proporção 1:10 e analisado em espectrofotômetro nos comprimentos de onda de 420 nm, 520 nm e 620 nm. A cor foi mensurada pelos parâmetros de intensidade e tonalidade de cor, obtida através das fórmulas: Intensidade = 420 + 520 + 620 nm e Tonalidade = 420/520 nm. O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado, com quatro repetições para cada tratamento e os dados foram submetidos à análise de variância e comparados pelo Teste Scott Knott a 5% de probabilidade de erro. Na safra 2015 observou-se aumento da intensidade de cor nos vinhos provenientes de plantas desfolhadas nos estádios fenológicos plena florada, grão chumbinho, grão ervilha e virada de cor. Já os vinhos provenientes de uvas não submetidas ao manejo da desfolha apresentaram o menores valores de intensidade de cor. Para a safra 2016, verificou-se que os vinhos provenientes de plantas não submetidas ao manejo da desfolha ou desfolhadas 15 dias após a virada de cor apresentaram valores inferiores de intensidade de cor, já a desfolha realizada na plena florada resultou na maior intensidade de cor do vinho de Cabernet Sauvignon. Para a variável tonalidade de cor não observou-se influência da época de desfolha na safra 2015, no entanto, houve influência na safra 2016, sendo que os vinhos provenientes de uvas desfolhadas nos estádios fenológicos plena florada, 15 dias após a virada de cor e não submetidas ao manejo da desfolha apresentaram valores superiores de tonalidade de cor, diferindo das demais épocas de desfolha. Os resultados observados demonstram que o manejo da desfolha da videira influência na coloração do vinho de Cabernet Sauvignon cultivada em regiões de elevada altitude de Santa Catarina.

Palavras-chave


Vitis vinífera L., intensidade de cor, tonalidade de cor, vinhos de altitude



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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