A FUNÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NA EDUCAÇÃO EM SAÚDE

Gabriel Rodrigues Bastos, Lucas Eduardo Da Rosa, Cleisson Lima Maria, Anderson Luis de Moura Machado

Resumo


A tecnologia do entretenimento por meio do uso de equipamentos como TV, computador e/ou outros tipos de aparelhos portáteis, tem atraído cada vez mais adeptos, principalmente os jovens. O uso excessivo da tecnologias a outros hábitos do cotidiano de baixo gasto calórico tem gerado muita discussão tendo em vista que os usuários podem assumir uma condição de sedentarismo. Essa questão começa a aparecer dentro do ciclo familiar, onde adolescentes passam maior parte do tempo com celulares, computadores, vídeo games e em frente da televisão. Assim sendo, a alta prevalência de doenças do tipo crônicas não degenerativas se constitui numa verdadeira epidemia no mundo moderno, um fator que contribui na redução dos níveis de qualidade de vida das pessoas e altos custos com saúde ao poder público. Neste contexto, por ocasião do estágio curricular obrigatório os acadêmicos trabalharam com questões relacionadas ao exercício físico e seus benefícios, com apresentação de slides, os alunos puderam tirar suas dúvidas em relação a grupos musculares, tipos de fibras, métodos de treinamento. Foi desenvolvida palestra sobre substâncias psicoativas, apresentando seu histórico dentro e fora da escola, os riscos causados a saúde e doenças associadas ao uso das substâncias. A temática nutrição foi enfatizada como outro elemento importante para a educação em saúde dentro da escola, conceituando os nutrientes e considerando a importância destes para a prevenção de doenças e um estilo de vida saudável. Outros temas não menos importantes, porém trabalhados com menor intensidade, foram à produção de cartazes sobre atividade física e saúde, a diferença do alongamento e aquecimento, percebendo que grande parte da turma trabalhava durante o dia, os acadêmicos introduziram a ginástica laboral no ambiente escolar salientando a importância de manter-se ativo mesmo no horário de trabalho, corrigindo posturas rotineiras. A partir dessa breve contextualização, questiona-se a Educação Física Escolar, será que ela poderá contribuir na educação em saúde para adolescentes que possuem o hábito de passar muito tempo fazendo uso de equipamentos, como televisão, vídeo game, computadores, e celular? Partindo desse questionamento traçou-se como objetivo identificar qual a percepção, de alunos de ambos os sexos matriculados em uma escola de educação básica do ensino médio, da rede pública estadual da cidade de Lages-SC, quanto à contribuição da Educação Física Escolar para a educação em saúde. A hipótese levantada é de que a Educação Física Escolar poderá ser um elemento importante para o desenvolvimento do aluno, fazendo com que o mesmo torne-se um ser crítico, participativo e flexível em relação a problemas sociais, políticos e de saúde. Contribuindo dentro e fora da escola, com relação à educação em saúde, não apenas como algo que se trabalhe na prevenção de doenças, mas sim como um todo em relação à parte social e comunitária. Assim faz-se necessário o desenvolvimento de ações no sentido de prevenir o surgimento de disfunções que interferem negativamente na saúde e qualidade de vida das populações. Esta pesquisa foi estruturada como exploratória e pesquisa participante por articular questões teóricas com o desenvolvimento de atividades práticas com os sujeitos da pesquisa. Este estudo foi desenvolvido em uma escola de educação básica da rede pública estadual da cidade de Lages- SC. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se um questionário. A amostra do tipo aleatória simples contemplou 39 sujeitos de ambos os sexos do 2º e 3º anos do ensino médio, que estudam no período noturno na faixa etária dos 15 aos 18 anos de idade e responderam um questionário com quatro questões relacionadas ao tema. Os dados foram tratados via cálculos percentuais. Os resultados evidenciaram que 97% dos pesquisados tem entendimento da contribuição da Educação Física Escolar para a educação em saúde e 3% dos alunos consideram que a Educação Física escolar não lhes proporcionou conhecimento suficiente em relação à educação em saúde. Outros 97% consideram importantes os trabalhos relacionados à educação em saúde a partir das atividades desenvolvidas nas aulas de Educação Física escolar. Já 3 % consideram que as atividades desenvolvidas nas aulas de Educação Física não são importantes para a educação em saúde. Outro resultado fez referência a Educação Física escolar como propositora de conhecimentos importantes para o desenvolvimento de ações voltadas à educação em saúde. Da mesma forma que as respostas anteriores 97 % dos alunos consideram que a Educação Física escolar proporciona conhecimentos importantes e 3% dos alunos não consideram a Educação Física escolar como elemento propositor de conhecimento com relação à educação em saúde. Assim sendo, concluiu-se que este objetivo foi parcialmente atingido, pelo fato de que os alunos têm conhecimento sobre educação em saúde. No entanto, esse conhecimento vem do senso comum. Não há um efetivo conhecimento sobre o que é realmente educação em saúde. Esse conteúdo é trabalhado pelos (a) professores (as) no contexto de Educação Física escolar, mas esse trabalho não relacionava as questões de políticas públicas e sociedade, visava apenas à contribuição da Educação Física escolar em relação à saúde do ser humano. Porém, considera-se que a educação em saúde não pode ficar apenas sobre responsabilidade das escolas e professores de Educação Física escolar, neste sentido o Estado através de políticas e metas educacionais deverá agir em conjunto com a escola promovendo discussões sobre a importância da saúde de uma forma geral e não apenas na prevenção. Nos dias atuais ainda convivemos com situações de riscos seja de doenças crônicas não degenerativas e doenças transmissíveis nas quais são tratadas apenas como forma de prevenção. Neste contexto considera-se que não há receitas prontas para isto, à prática de educação em saúde poderá gerar um movimento social numa perspectiva de melhoria à saúde. Tendo programas de Agentes Comunitários de Saúde e de Saúde da Família em conjunto com a escola, associando trabalhos à prática da Educação Física escolar, contemplando temas como alimentação saudável, ginástica, atividade física, exercício físico e políticas públicas. Essas proposições articulando educação e saúde, permeadas pelas políticas públicas que regem ambas, é possível propor uma Educação Física escolar como algo significante na vida dos alunos tanto na escola como fora da escola, contribuindo de forma diferenciada em relação à educação em saúde, e não apenas como uma disciplina que trabalha jogos coletivos e a prática corporal. Assim considera-se que essa prática de Educação Física escolar pode ir além da sala de aula, que possa estabelecer uma prática aliada a termos social, cultural e político.

Palavras-chave


Educação Física Escolar, Educação em saúde, Atividade Física.



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ISSN 2447-2107
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