A FILOSOFIA DO CUIDADO PALIATIVO NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA

Henrique Boell Pimentel

Resumo


O presente trabalho originou-se do estágio curricular com duração de um mês no Hospital Nereu Ramos, localizado em Florianópolis, o qual aborda os cuidados paliativos dentro do ambiente de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A UTI ou Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) ou ainda Centro de Terapia Intensiva (CTI) é um ambiente de “alta complexidade”, local que necessita de equipe altamente treinada, usando tecnologia de ponta em instalações hospitalares com requisitos específicos e insumos imprescindíveis para assistência, manutenção e recuperação dos pacientes. No Brasil, fatores como a ampliação do acesso a saúde e dos serviços hospitalares, a sobrevida de pacientes, os quais apresentam as mais diversas doenças de base de longa data, e também o aumento da morbimortalidade, podem agudizar o quadro, levando a necessidade de atendimento de terapia intensiva. Somam-se a estes fatores, estratégias para o diagnóstico do câncer, com um progressivo aumento de tratamento, os quais podem culminar em internação na UTI, e outros casos emergenciais relacionados a trauma grave e acidentes cardiovasculares, que podem levar ao mesmo fim. Os pacientes que apresentam doença crônica de base, manifestam negativo impacto no prognóstico de seu tratamento, podendo resultar em tempo de internação prolongado, múltiplas intercorrências ou complicações, levando a equipe de saúde a tomar decisões difíceis a respeito da melhor conduta que o paciente pode receber, sempre levando em conta as vontades da família do mesmo. Tem-se como objetivo apresentar a filosofia do cuidado paliativo, sua importância, e seus princípios de humanização dentro da UTI, em paralelo ao tratamento curativo-restaurativo. A metodologia observacional foi utilizada com o intuito de acompanhando o cotidiano de um ambiente intensivo, tendo como referência a equipe multiprofissional, de forma a tratar os pacientes de maneira ética, contemplando a evolução do quadro tendo em vista a realização do cuidado curativo simultâneo ao paliativo. O mesmo é definido pela melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares que enfrentam a doença ameaçadora a vida, através de prevenção, da identificação e do tratamento precoce dos sintomas de sofrimento físico, psíquico, espiritual e social. Com isso, é possível aplicar critérios para auxiliar na definição do grau de terminalidade como: capacidade funcional, progressão da doença, reversibilidade e falência orgânica irreversível, de forma a enquadrar os pacientes em três fases: 1. Maior possibilidade de recuperação; 2. Resposta insuficiente aos recursos utilizados; 3. Identificação de irreversibilidade da doença. Por fim, é possível observar que o trabalho dedicado de uma equipe que realiza o cuidado curativo-restaurativo, em paralelo ao paliativo, apresenta melhores estratégias de humanização e melhora na qualidade do atendimento a pacientes críticos e seus familiares. O monitoramento sistemático da presença de sintomas e o devido controle dos mesmos são soluções fundamentais para o sucesso desta estratégia.

Palavras-chave


terapia intensiva; cuidados intensivos; cuidados paliativos.



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ISSN 2447-2107
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