RESSECAMENTO VAGINAL: UMA ALTERAÇÃO CLIMATÉRICA INTERFERINDO NA SEXUALIDADE DE MULHERES DE MEIA-IDADE

Jéssica Telli

Resumo


A Ginecologia é uma especialidade médica centrada anatomicamente no aparelho genital feminino e atua sempre na saúde da mulher que deve ser vista, de forma ampla e complexa, como um todo, e não somente como meia dúzia de órgãos. Trata-se da especialidade das inflamações, dos tumores, das malformações do aparelho genital feminino, das dores, dos corrimentos, das hemorragias; mas também se ocupa da esterilidade, da contracepção, do planejamento familiar, da sexologia, da endocrinologia. Este trabalho tem como objetivo apresentar esta especialidade médica a partir da vivência em estágio e do aprofundamento teórico de determinada comorbidade ginecológica. A Unidade Educacional Eletivo do 3 º ano do Curso de Medicina da UNIPLAC permite ao estudante escolher uma área para aprofundamento teórico-prático. Esta foi realizada durante os meses de Julho e Agosto de 2016, com um total de 200 horas de atividades. As atividades práticas desenvolveram-se em um hospital-maternidade de âmbito estadual, localizado na cidade de São José (SC), no ambulatório de ginecologia, centro cirúrgico e obstétrico. Dessa maneira, foi possível conhecer a atuação e a conduta de profissionais frente a pacientes que procuram tal serviço. Durante o período de estágio, acompanhou-se um caso de sangramento vaginal de grande volume após relação sexual; comorbidade oriunda do ressecamento vaginal presente em mulher pós-menopausica, sendo este tema escolhido para uma breve revisão bibliográfica. Foram selecionados sete artigos científicos, encontrados na Base de Dados Eletrônicos SCIELO; além da consulta em cinco livros de semiologia médica e Rotinas e Tratados de Ginecologia e Obstetrícia. A Ginecologia se diferenciou, como uma especialidade, graças às pesquisas e descobertas científicas realizadas nos Estados Unidos, onde surgiram os primeiros ensinamentos na área. O país é considerado o berço da Ginecologia graças a duas experiências pioneiras no mundo: Primeira remoção de ovário (1809) e cirurgia reparadora de fístula vesicovaginal (1849). O climatério caracteriza-se como uma das fases do ciclo vital feminino, caracterizado como a passagem da fase reprodutiva para a não reprodutiva, ajustando a mulher a meios hormonal, emocional, biológicos, sexuais e sociais diferentes. A menopausa, nomenclatura mais difundida, consiste na interrupção permanente da menstruação, após decorrer 12 meses de amenorréia. Ocorre em função da perda da atividade folicular ovariana, sendo um momento pontual do climatério. Considera-se que a relação da mulher climatérica com o próprio corpo e com o desejo sexual é marcada por fatores de ordens biológica, psicológica e sociocultural. A depleção hormonal, a história de vida pessoal e familiar, as experiências afetivas, o espaço social que a mulher ocupa – etnia, raça, classe social, momento contemporâneo – são alguns aspectos indissociáveis que constituem a experiência subjetiva da meia-idade feminina. A paciente no climatério comumente observa mudanças na vivência da sua sexualidade. Para as mulheres, as alterações sexuais são consideradas incômodas, visto que repercutem na sua relação com o parceiro e consigo mesma; as mais apontadas são o ressecamento vaginal e a diminuição ou ausência do desejo sexual. A primeira causa desconforto no momento da relação; já a segunda coloca a mulher em uma situação também desconfortável com relação ao companheiro. Com relação aos outros sintomas, postula-se que a atrofia vulvovaginal por hipoestrogenismo ocasiona a perda da rugosidade da mucosa vulvovaginal, com redução acentuada da lubrificação vaginal e modificações importantes da flora nativa, podendo levar ao aparecimento de prurido vulvar e à dispareunia. O estudo sobre o ressecamento vaginal presente em mulheres pós-menopausicas foi muito válido para amadurecimento acadêmico, pois se percebeu a importância do acolhimento dessa disfunção ginecológica e de seu tratamento para a melhora na qualidade de vida da paciente. Considera-se, ainda, que o acompanhamento da rotina de um profissional médico da área de ginecologia e obstetrícia, permitiu conhecer e aprofundar diagnósticos incomuns na clínica geral, acrescentando aprendizado, não apenas acadêmico, mas também pessoal. Assim, conclui-se que o período de práticas e estudos da Unidade Educacional Eletivo é relevante não só para a evolução acadêmica, como também, uma oportunidade de realizar atividades únicas e especificas da área de interesse e escolha de cada aluno.

Palavras-chave


ressecamento vaginal, menopausa, secura vaginal, sangramento vaginal, atrofia vaginal, climatério, sexualidade



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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