CARACTERIZAÇÃO DA MÍDIA-EDUCAÇÃO NO CONTEXTO AMBIENTAL EM LAGES

Gisele Cristiane Urnau dos Prazeres, Luiz Henrique Zart, Diógenes Manfroi de Barros, Ivan Claudio Siqueira de Moraes

Resumo


A educação ambiental é disseminada por meio das informações que os sujeitos recebem para formar suas percepções. Considerando este aspecto, o presente estudo busca compreender com maior profundidade como o assunto influencia a construção do conhecimento de estudantes de escolas e universidades públicas, particulares e do ensino técnico-profissionalizante da cidade de Lages (SC). Para efetuar a pesquisa, é utilizado o método de pesquisa survey, por meio de um questionário de múltipla escolha composto por 11 perguntas analisadas ponto a ponto, que permitem conhecer as opiniões de educandos e avaliar a importância da disseminação de informação no contexto ambiental da educação. Os meios de comunicação de massa, dentro da objetividade do papel indiretamente centralizador de agente social e emissor de informação, têm buscado se empenhar de forma clara dentro de suas limitações técnicas, em aglutinar dados e relatórios científicos dos processos de aquecimento global nos quais apresentam conclusões acerca dos resultados da ação humana sobre o planeta. Canais como os impressos (jornais e revistas), sites de internet e programas de televisão, são colocados por Lückman (2006), em um agendamento sistêmico que visa expor com ênfase a construção do amanhã com base no retrato do hoje sobre tal contexto problemático, efetivamente, resultado da ação humana. Fato que descarta a possibilidade de que as mudanças sejam resultado de processos naturais. Da mesma forma, buscam estimular as pessoas comuns a contribuírem para minimizar efeitos negativos com pequenas atitudes cotidianas. O destaque dado pela mídia aos assuntos relacionados a uma crise ambiental, contudo, não é recente. O histórico das coberturas de cunho socioambiental trazido pela imprensa tem início nos anos 70, mais precisamente em 1972, na cidade de Estocolmo (Suécia), na primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. O anseio por conhecer estes fenômenos afundo instiga pesquisadores (LÜCKMANN, 2006) e a mídia de maneira geral – que trata do tema de interesse público e o leva ao conhecimento das pessoas. Visto isso, se atribui aos meios de comunicação “um importante papel como multiplicadores de informações de caráter educativo” (DINES, 2009). Sendo que através da mídia (analógica ou digital) é onde a maior parte das pessoas recebem informações sobre o meio ambiente (CRESPO, 2003; RAMOS, 1996; ISER, 2006). Mas algumas análises do campo comunicacional e também técnico do meio ambiente trazem uma gama de fragilidades no tratamento dado ao que é noticiado pela mídia – seja em função da espetacularização dos enfoques, da superficialidade com que os assuntos são tratados ou da falta de espaço para abordagens mais complexas em torno das questões apresentadas (ABREU, 2006; SILVA, 2005; SIQUEIRA, 1999; RAMOS, 1996; GAMBA, 2003). Baccega (1998) complementa que a relação informação-conhecimento, assim como a relação informação-conscientização, não é automática, ou seja, deve haver um trabalho diário, minucioso e com dedicação por parte do emissor – levando em conta a seletividade praticada pela imprensa. As funções da notícia e da qualidade dos materiais divulgados crescem, em especial quando o foco é educação ambiental e efeito multiplicador (BACCEGA, 1998). Lückman (2006) afirma que há uma associação direta entre o alerta para os problemas ambientais e o discurso que aponta a necessidade de uma educação que ajude a superar esses desafios. A teoria pedagógica de Paulo Freire retrata ainda dois polos que auxiliam na educação e difusão de conhecimentos, os de consciência e conscientização, sendo que ambos são intrínsecos na educação ambiental. A vertente da consciência, para Freire, tem um caráter reflexivo e transformador, integrado a conscientização, quando serão necessários o desvelamento da realidade e uma mudança na relação com ela (FREIRE, 1987; 1997). A metodologia utilizada para a captação e análise dos dados partiu do modelo de pesquisa Survey: quantititativo, feito por meio de questionários que, para Mello (2013), são “um método de coleta de informações diretamente de pessoas a respeito de suas ideias, sentimentos, saúde, planos, crenças e de fundo social, educacional e financeiro”, onde a pesquisa é planejada e aplicada para investigar determinado objeto com base em perguntas-chave considerando o momento presente, em situações reais nas quais está o ambiente da pesquisa. A amostra é composta por cinco grupos de interesse: 1. Instituição de Ensino Superior (IES) pública; 2. IES privada; 3. Terceiro Ano (Ensino Médio) público; 4. Terceiro Ano (EM) privado; 5. Ensino Técnico. Pertencem ao primeiro grupo (IES pública) 78 estudantes do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV/UDESC) – distribuídos entre os cursos de graduação em Medicina Veterinária (21), Engenharia Florestal (22), Engenharia Ambiental (8) e Agronomia (27). Quanto ao segundo grupo (IES privada), se manifestaram 90 graduandos da Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC) – dos cursos de Direito (62), Ciências Biológicas (9), Engenharia Elétrica (16) e Jornalismo (3). Em relação ao terceiro grupo (terceiro ano EM público), responderam ao questionário 34 jovens da Escola de Educação Básica Rubens de Arruda Ramos. Por outro lado, 79 estudantes do quarto grupo (terceiro ano EM privado) frequentam o Colégio Objetivo e responderam à pesquisa, assim como os 25 inscritos no curso Técnico em Segurança do Trabalho (TST) do Centro de Educação Profissionalizante (CEDUP) Renato Ramos da Silva. Cada um dos grupos será analisado conforme o grau de instrução, aliado à natureza das instituições, ou seja: primeiro, são observadas as IES – com atenção aos cursos de graduação em Ciências Biológicas da UNIPLAC e Engenharia Ambiental do CAV/UDESC; depois, as escolas com EM e, por fim, estes dois núcleos são comparados aos dados referentes ao Ensino Técnico/Profissionalizante, uma vez que ele é o espaço intermediário entre os locais já mencionados. Além do mais, interessa saber a relação que se estabelece quando confrontadas as informações de todos os nichos da pesquisa quantitativa. Para esclarecer e detalhar o conteúdo, os espaços serão subdivididos. Neste sentido também seguem as perguntas: como todos os questionários continham as mesmas propostas, serão aprofundados ponto a ponto conforme os dados obtidos. As perguntas do questionário – envolvendo respostas entre “sim” e “não” em alguns casos, e com mais opções em outros – são: 1. Você sabe o que é efeito estufa? 2. O efeito estufa na sua óptica e ótica é benéfico ou maléfico ao meio ambiente? 3. Você acredita que o aquecimento global existe? 4. De que maneira, em sua opinião, o crescimento econômico e social pode afetar o clima no planeta terra? 5. para você, as ações do homem podem estar relacionadas com o aquecimento global? 6. Lages sofre aquecimento global? 7. Por onde você se informa e aprende sobre meio ambiente? 8. mudança climática e aquecimento global são sinônimos? 9. qual ação para proteger o meio ambiente você toma no dia-a-dia? Cite uma. 10. na sua avaliação, em sala de aula, com que frequência são tratados os assuntos ligados ao meio ambiente? 11. se a udesc iniciasse programas de educação ambiental, você teria interesse em participar? A construção do conhecimento trazida pelo estudo evidencia a relevância da informação revelada: há divergências e convergências em determinados temas, variando de instituição para instituição. Existe proximidade e disparidade dependendo do ângulo de que se observa – e também por isso se optou por analisar as informações de maneira estratificada para, depois, reuni-la integralmente. Assim, de maneira geral, a pesquisa proporciona descobertas pertinentes à área da educação ambiental, depois da tabulação dos dados, e da reunião das informações transformadas em percentual, para que se tivesse noção, e se esclarecesse a dúvida.

Palavras-chave


Educação ambiental, Mídia, Lages, Questionário Survey



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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