MURCOMICOSE: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Maria Letícia Simon

Resumo


A mucormicose refere-se a várias entidades patológicas diferentes, causadas por fungos da ordem, família e género dos Mucorales. As espécies mais frequentemente associadas são a Rhizopus, a Rhizomucor e a Cunninghamella. Apesar de se saber que é uma infeção rara, a verdadeira incidência da infeção permanece desconhecida e pensa-se até que seja subestimada, uma vez que o diagnóstico antemortem é complexo. Apesar de já ter sido descrita infeção em doentes imunocompetentes, habitualmente a infeção ocorre em doentes com depressão do sistema imunitário, nomeadamente na neutropenia, tratamento com glucocorticoides e neoplasias hematológicas. A diabetes mellitus (DM) descompensada (principalmente a cetoacidose diabética) é também um fator de risco importante, assim como a sobrecarga de ferro, tratamento com desferroxamina, malnutrição e trauma. No caso da doença hematológica, a mucormicose é a terceira causa de infeção fúngica invasiva mais frequente, a seguir à candidíase e aspergilose, correspondendo a 8,3-13,0%2 de todas as infeções fúngicas encontradas em autópsias de doentes hematológicos. As manifestações clínicas dependem do estado imunológico do doente e dos órgãos envolvidos. As síndromes associadas a esta infeção estão agrupadas nas seguintes categorias: rinocerebral (44-49%), cutânea (10-19%), pulmonar (10-11%), disseminada (6-11%) e gastrointestinal (2-11%). O diagnóstico desta micose invasiva assenta na correlação entre os exames micológicos, histológicos e manifestações clínicas. A biopsia do tecido envolvido e o exame histopatológicos permitem estabelecer o diagnóstico e fazem o diagnóstico diferencial com a infeção por outros fungos filamentosos, nomeadamente Candida sp e Aspergillus sp. A cultura é importante para o diagnóstico definitivo pois o exame microscópico apenas identifica a classe dos fungos.1,3 Apesar da baixa virulência dos Mucorales, a doença apresenta uma elevada taxa de mortalidade,5 pois é uma patologia rara e de diagnóstico complexo quando não existe suspeita por parte do clínico. A maioria dos exames tem resultados inespecíficos e as culturas habitualmente solicitadas (hemoculturas, uroculturas, culturas de expetoração, etc) são negativas.A revisão foi fundamentada na análise de artigos publicados e literaturas relacionadas á doença citada observando-se a fisiopatologia, semiologia, diagnóstico, exames laboratoriais e de imagem, e tratamento da doença.O que motivou este trabalho foi a grande dificuldade de diagnosticar esta patologia in vivos devido sua alta taxa de mortalidade.

Palavras-chave


Mucormicose, Infecções Fúngicas, Complicações do diabetes.



REVISTA UNIPLAC
ISSN 2447-2107
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